‘Baterias de lítio sem lítio’: a cartada do Google para alimentar data centers de forma mais barata
Data centers funcionam 24/7. Precisam de fontes de energia contínuas, como termelétricas. Mas grandes empresas têm metas que as impedem de recorrer a fontes poluentes. Uma saída é combinar energia solar com baterias – que armazenam o excedente gerado durante o dia para liberar à noite.
Esses sistemas, chamados BESS, já existem, e são feitos com baterias de lítio. O problema: um BESS capaz de abastecer um data center de 150 MW por até 2 dias custa US$ 900 milhões.
Uma startup americana, a Form Energy, bolou uma alternativa: baterias de ferro, água e ar. Elas geram corrente elétrica oxidando ferro – e custam um sexto dos BESS de lítio.
Em fevereiro, o Google anunciou uma parceria com a Form para instalar um sistema ferro-ar de US$ 1 bilhão em Minnesota, nos EUA. É o maior projeto de armazenamento da história. Se der certo, será uma revolução no setor.
Leia mais nesta reportagem de Camila Barros e Bruno Vaiano.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
⚗️ Os termos da reestruturação da Braskem
⚡ Um tipo inédito de curtailment
✈️ O rouba-monte da Latam com a Azul
📈 O boom econômico improvável da Coreia do Norte
HIGHLIGHTS
⚗️ Reestruturação da Braskem não vai ter troca de dívida por ações
A recuperação extrajudicial da Braskem, que elegeu ontem (8) diretoria e board novos, não vai envolver troca de dívida por ações nem aportes de capital da Petrobras e da IG4. A petroquímica vai pedir apenas prazo mais longo e tempo de carência para reorganizar o fluxo de caixa, apurou o InvestNews.
⚡ ONS estreia nova modalidade de curtailment
No domingo (7), pela primeira vez, o Operador Nacional do Sistema (ONS) paralisou geradoras nanicas – como pequenas centrais hidrelétricas – para evitar que a rede caísse por excesso de eletricidade. Até então, o curtailment só atingia usinas peso-pesado, que o ONS consegue desligar por conta própria, sem acionar as distribuidoras.
💧 Equatorial cumpre exigências e avança na Copasa
A Copasa anunciou que a Equatorial, a investidora de referência da privatização, cumpriu todas as exigências para assumir sua fatia de 30% na estatal. Elas incluem as contas bancárias de garantia, administradas por um terceiro, nas quais o dinheiro fica guardado até o fim da transação.
UMA IMAGEM

Hoje, o Brasil é a origem de 65% da soja e 42% da carne bovina que entram na China. Por essas, somos responsáveis por 40% do déficit de US$ 124,5 bilhões dos chineses no comércio exterior de alimentos.
É uma dependência brutal de um só parceiro – e diminuir esses números acaba de entrar para a lista de afazeres oficial de Xi Jinping: o 15º Plano Quinquenal chinês prevê reduzir a importação de soja em 25% até 2030.
O essencial: o Brasil chegaria a 2030 sem ter para onde mandar 15,2 milhões de toneladas de soja por ano – 15% do que exportamos hoje. Isso ameaça a viabilidade econômica de toda a cadeia produtiva, dos fertilizantes às ferrovias que escoam o grão.
Na foto: trem de alta velocidade passa por fazenda de trigo nos arredores da cidade de Jinan, no nordeste da China. Crédito: Qilai Shen/Bloomberg.

A história de sucesso econômico mais surpreendente do mundo é… da Coreia do Norte
BMWs e BYDs nas ruas, pizzarias com forno a lenha, smartphones com apps tipo Uber e um boom imobiliário, com 10 mil novos apartamentos entregues só em 2025. Essa é a nova cara do centro de Pyongyang, a capital da Coreia do Norte.
Cortesia de investimentos e importações chinesas – mais o envio de munição e tropas para o esforço de guerra russo.
O Ocidente monitora o boom econômico a partir de métricas indiretas, como a emissão total de luz por Pyongyang, detectada via satélites, que aumentou três vezes em cinco anos.
O essencial: As violações de direitos humanos continuam, e a desnutrição ainda é um problema na zona rural. Mas o capital e o modelo de governança chineses fizeram bem ao país – e anularam o efeito das sanções econômicas impostas pelos EUA e seus aliados.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
US$ 160 mil
É o bônus que a Latam está oferecendo aos contratados em um processo seletivo para pilotos de sua nova frota – composta por 24 aviões Embraer E195-E2.
Além disso, a empresa parou de exigir a certificação de proficiência em inglês ICAO 4 no ato da contratação: os comandantes, agora, terão um prazo para realizar a prova.
O essencial: a maior afetada é a Azul, que tem mais de 50 E-jets da Embraer na frota. Seus pilotos já sabem operar a máquina, e a empresa acaba de sair de uma recuperação judicial nos EUA, o que dificulta um contra-ataque no holerite.
UM GRÁFICO

O câmbio está comportado e a Selic continua no talo. Mas quase todo o resto joga contra a inflação este ano: a projeção mediana do Boletim Focus, em 3,91% antes da guerra, agora passou dos 5%.
O bloqueio do estreito de Ormuz encareceu o petróleo e fez o preço do diesel disparar. Isso aumenta o custo de fretar basicamente qualquer coisa.
Enquanto isso, os gastos do governo em ano eleitoral tendem a crescer – o que alimenta a inflação.
Para completar, o El Niño deve afetar a colheita. Isso reduz a oferta e eleva o preço da comida: a consultoria 4intelligence prevê uma alta de até 7,7% nos alimentos.
VALE PARAR PARA LER
📜 O bilionário que quer deserdar os 5 filhos
O francês Pierre-Édouard Sterin pediu ao Senado francês que mude a lei sucessória para destinar toda a sua fortuna de € 1,4 bilhão à filantropia em vez dos herdeiros. A lei atual, derivada do Código Napoleônico, obriga que três quartos do patrimônio fiquem com os descendentes. Sterin é um exilado fiscal na Bélgica e financia causas de extrema-direita.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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