Fábricas de casas: linha de produção chega à construção civil
No Brasil, a mão de obra é metade do custo total de uma construção. E 70% das obras ainda usam métodos “artesanais”, ou seja: os operários empilham bloco por bloco à mão — uma abordagem que, além de demorada, desperdiça um terço do material ao longo do tempo.
Agora, uma nova geração de empresas brasileiras quer mudar esse cenário fabricando casas à moda fordista. Uma delas é a Brasil ao Cubo, que ergue prédios de até 8 andares com módulos pré-fabricados de 55 m². As linhas de produção têm só dez funcionários.
Outro player promissor é a Steel Corp, que consegue produzir 37 casas por dia na fábrica e leva só 24 horas para instalar cada uma delas num terreno vazio. A mão de obra, aí, responde por apenas 15% do custo total.
O modelo encara desafios regulatórios, porém: cada prefeitura no Brasil pode impor suas próprias normas de construção, e essas empresas precisam usar um padrão só em qualquer lugar.
Leia mais nesta reportagem de Greg Prudenciano.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
💵 BTG compra Digimais, de Edir Macedo
🏥 Hapvida ajusta rota e agrada o mercado
🔰 Joesley Batista, o investidor improvável da Avibrás
📊 Bonança de grandes M&As no Brasil
HIGHLIGHTS
🏦 BTG acerta compra do Digimais
O BTG Pactual assinou o acordo de compra do Digimais, de Edir Macedo. O BC incentivou o negócio, que resolve um problemão: mesmo que o Digimais venda todos os seus ativos, ele ainda precisaria de R$ 8,5 bilhões para pagar o que deve. A transação deve exigir um aporte de R$ 8 bilhões do FGC.
🏥 Hapvida põe ordem na casa
A família Pinheiro, fundadora da Hapvida aumentou sua participação ali de 41,5% para 51,3% com a compra de 47 milhões de ações e contratou o BTG para vender sua operação no Sul, com oito hospitais, 21 clínicas e 490 mil clientes. A ideia é focar no Norte e Nordeste, onde a operadora é mais forte. O mercado gostou: as ações subiram 9% na quarta (8).
🍞 Bimbo tenta desovar Nutrella
Em 2025, a mexicana Bimbo, dona da Ana Maria e da Pullman, recebeu aval do Cade para comprar a Wickbold. Uma condição era vender a marca Nutrella para evitar um monopólio do pão de forma. A Bimbo apresentou dois potenciais compradores, mas ontem (8) o Cade recusou ambos. Se não surgirem novos nomes, o próximo passo é um leilão.
UMA IMAGEM

O Fundo Brasil Crédito captou R$ 300 milhões para salvar a Avibrás, de equipamentos militares, que está em recuperação judicial desde 2022. O fundo é o maior credor da empresa. Joesley Batista entrou nessa vaquinha — uma incursão inédita do empresário no setor de defesa.
O aporte resolve uma dor de cabeça: o Ministério da Defesa quer manter a independência do programa brasileiro de foguetes e mísseis, e há investidores estrangeiros atrás da Avibrás.
O produto mais bem-sucedido da empresa é o Astros II, um sistema de lançamento de foguetes que foi usado na Guerra do Golfo de 1991 e na Guerra Irã-Iraque nos anos 1980.
Na foto: formação de Astros II no Centro de Instrução de Artilharia de Mísseis e Foguetes do Exército Brasileiro em Formosa (GO). Crédito: Centro de Comunicação Social do Exército/Divulgação.

Como o McDonald’s navega a desigualdade econômica nos EUA
O CEO do McDonald’s, Chris Kempczinski, virou piada na internet em fevereiro ao publicar um vídeo dando uma mordida minúscula e desanimada no Big Arch — novo hambúrguer deles nos EUA, que sai por US$ 9 e busca o público de renda mais alta.
Kempczinski só estava sendo ele mesmo: é um gestor metódico, que, nas palavras do Wall Street Journal, “fala como se fosse um post de LinkedIn de carne e osso”.
Para o CEO, o maior desafio do McDonald's hoje é pensar um menu que dê conta do gap de renda brutal nos EUA: com o poder de compra pressionado, as classes mais baixas exigem descontos cada vez maiores para topar comer fora, enquanto o público endinheirado procura novidades.
A resposta é atirar para os dois lados. Nos últimos dois anos, o Méqui adotou promoções mais agressivas lá fora, incluindo combos que saem por menos de US$ 3. Ao mesmo tempo, testa receitas mais sofisticadas — como asas de frango empanadas que custam o dobro dos nuggets.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
US$ 16 bilhões
Foi o total movimentado por fusões e aquisições no Brasil no primeiro trimestre de 2026, uma alta de 30% em relação ao mesmo período de 2025 — e o melhor desempenho desde 2021.
Apesar disso, ocorreram apenas 153 M&As, contra 198 um ano antes.
Ou seja: a cifra cresceu puxada por negócios de maior porte, como a criação da Bradsaúde (R$ 5,8 bi) e a venda da Companhia Brasileira de Alumínio à Chialco e à Rio Tinto (US$ 1,9 bi).
UMA FRASE
O mundo vai sair [da guerra no Irã] com a estratégia de buscar independência. O Brasil sai na frente, porque já avançou muito nos biocombustíveis.
VALE PARAR PARA LER
💰 O preço de herdar a Samsung
Hong Ra-hee, viúva do ex-presidente da Samsung Lee Kun-hee, está vendendo US$ 2,1 bilhões em ações da empresa para pagar os impostos sobre a herança do marido, que faleceu em 2020. Na Coreia do Sul, a alíquota efetiva sobre o espólio do controlador de uma empresa pode chegar a 60%.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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