Globo faz as contas para continuar gigante na era do YouTube
A Copa de 2026 é a primeira em que um canal de YouTube, a CazéTV, tem os direitos de transmissão de todos os jogos. O pacote da Globo é mais modesto: 55 das 104 partidas.
Parece uma óbvia desvantagem. Só que transmitir mais jogos não é sinônimo de faturar mais com publicidade.
A estratégia da Globo para concorrer com o streaming tem sido justamente ser mais seletiva com direitos de transmissão, adquirindo só os eventos com mais potencial. Resultado: o lucro operacional cresceu 57% de 2024 para 2025.
O essencial: a Copa é só aperitivo. De 2030 em diante, a CBF busca centralizar os direitos de transmissão do Brasileiro em uma liga só (se vai dar certo, é outra história). A Globo não será o único Golias nesse novo ciclo de negociação. E precisará provar que a abordagem comedida mantém o caixa saudável.
Leia mais nesta reportagem de Greg Prudenciano.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🧪 Os credores insatisfeitos da Braskem
💊 A recuperação extrajudicial da Oncoclínicas
🚀 Os boatos de fusão entre Tesla e SpaceX
✈️ O prejuízo das aéreas com entregas atrasadas
HIGHLIGHTS
🧪 Credores travam o plano da Braskem
A Braskem e a IG4, sua nova controladora, não estão conseguindo reunir o quórum necessário para aprovar o plano de recuperação extrajudicial. Os credores afirmam que a proposta favorece dívidas com vencimento mais próximo, pedem troca de dívida por ações e cobram aportes dos sócios.
🖊️ Eurofarma e EMS travam guerra de preços em canetas emagrecedoras
A Eurofarma anunciou descontos de até 48% nas doses de 1 mg do Poviztra e do Extension – versões locais do Wegovy e do Ozempic fabricadas em parceria com a Novo Nordisk. Com o reajuste, o preço agora se equipara ao do Ozivy, o análogo 100% nacional da EMS recém-lançado por R$ 452.
💊 Oncoclínicas deve protocolar recuperação extrajudicial
Segundo o Valor, a Oncoclínicas deve protocolar sua recuperação extrajudicial em, no máximo, três semanas. A negociação com os credores prevê abater até 50% dos R$ 4 bilhões devidos – salvo no caso da fornecedora de medicamentos Oncoprod, que tem R$ 1,2 bilhão de crédito e deve recuperar o valor integral.
UMA IMAGEM

Cuba aprovou 176 medidas de liberalização econômica em uma tentativa de convencer o governo Trump a liberar a entrada de petróleo no país. Desde que o bloqueio naval americano entrou em vigor, em janeiro, apagões de 30 horas se tornaram rotina na ilha.
As medidas incluem autorizar a participação do setor privado em mais setores e a abertura para investimento estrangeiro direto, sem a intermediação do governo.
Cuba está à beira de uma crise humanitária. O turismo, responsável por 8% do PIB do país, caiu 75%. Atividades essenciais como frete de alimentos, coleta de lixo e vacinação infantil estão paradas por falta de energia.
Na foto: cubanos exilados em Miami exibem fotos de presos políticos durante uma manifestação contra o governo comunista em 18 de março. Crédito: Joe Raedle/Getty Images.

Quanto vai demorar para o Estreito de Ormuz voltar à circulação pré-guerra?
Com o acordo de paz entre EUA e Irã, o barril está abaixo dos US$ 80 pela primeira vez desde 2 de março. Mas o gráfico do petróleo não acompanha o ritmo da normalização no mundo real.
As petroleiras do Golfo ainda estão consertando a infraestrutura destruída por drones iranianos, Ormuz está cheio de minas marítimas, e os países que importam petróleo da região têm urgência em repor suas reservas quase secas.
Parte da frota mercante, realocada para outras partes do mundo, vai demorar semanas para voltar ao Oriente Médio. E os cargueiros estacionados precisam de suprimentos e manutenção.
O essencial: a Kpler calcula que o tráfego no estreito pode demorar um mês para voltar à metade do nível pré-guerra – algo entre 50 e 60 navios por dia. A situação só deve se normalizar completamente em setembro.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
R$ 30 bilhões
Será o investimento brasileiro em rodovias em 2026, o segundo recorde consecutivo – em 2025, foram R$ 29,1 bilhões.
Entre 2013 e 2020, esse número caiu todos os anos, de acordo com a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).
Mas o jogo virou: entre os R$ 4,7 bilhões de 2020 e a cifra de 2025, a alta foi de 519%, puxada por uma onda de leilões entre 2023 e 2024.
UMA FRASE
Não há dúvida de que existem sinergias entre Tesla e SpaceX em nossos futuros.
A legislação do Texas, onde ambas estão sediadas, exige que dois terços dos acionistas aprovem a fusão. Musk, sozinho, controla 13% da Tesla e 40% da SpaceX. Não basta, mas ajuda.
Além disso, os conselhos das duas empresas não costumam impedir os planos do CEO. “Ele chegou ao ponto em que pode fazer quase tudo o que quiser", diz Charles Elson, professor de Governança Corporativa da Universidade de Delaware.
UM GRÁFICO

Entregas atrasadas de aviões e motores deram um prejuízo de US$ 11 bilhões às companhias aéreas ao redor do mundo em 2025. Há 18 mil pedidos não entregues na fila das fabricantes – o comum, nos anos 2010, eram 13 mil –, e a idade média da frota bateu um recorde de 15,2 anos.
“Nos últimos sete anos, não tivemos a entrega de um Boeing 787 em dia”, disse Roberto Alvo, CEO global da Latam.
Outra atrasada crônica é a Rolls-Royce, que faz motores. Os mais novos são até 30% mais econômicos e, é claro, dão menos manutenção. Em geral, as aéreas alugam os jatos em vez de comprar. E motores que passam menos tempo na oficina permitem reduzir o número total de unidades alugadas.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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