Players chineses aquecem concorrência pela linha branca no Brasil
Com a Selic recém-saída dos 15% ao ano e com 29% da renda familiar comprometida com dívidas, o Brasil de hoje não é o mercado mais atraente para vender geladeiras — um eletrodoméstico caro, que não se troca com frequência.
Mesmo assim, a concorrência se acirrou, puxada pela expectativa do ciclo de queda dos juros, o crescimento da chinesa Midea e de pares asiáticos que antes focavam em TVs, como Hisense e TCL.
Nesse ambiente, as ambições são elevadas. Vide a LG, que tem apenas 3% das vendas de linha branca no Brasil. Ela planeja passar dos 10% até 2027 com um investimento de R$ 1,5 bi em uma nova fábrica no Paraná, que, de início, vai produzir 500 mil geladeiras por ano.
Por sua vez, a Whirlpool (dona de Brastemp e Consul) e a Electrolux jogam para defender o terreno que já dominam. Juntas, elas respondem por quase 60% do mercado brasileiro de fogões, geladeiras e máquinas de lavar.
Leia mais nesta reportagem de Raquel Brandão.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
📡 Claro compra a provedora Desktop
💵 CSN fecha crédito e atrai J&F
💉 A patente do Ozempic caiu
✈️ Querosene de aviação em falta
HIGHLIGHTS
📡 Claro compra a Desktop por R$ 4 bilhões
A Claro anunciou a compra de 73% da provedora de fibra óptica com 1,2 milhão de clientes por R$ 4 bilhões. O negócio resolve um desafio estratégico: a Claro lidera em banda larga, mas boa parte da base ainda usa cabo coaxial — inferior à fibra.
💵 CSN fecha crédito e atrai J&F
A CSN fechou um empréstimo de até US$ 1,4 bilhão com um sindicato de bancos para refinanciar suas dívidas: R$ 9,4 bilhões vencem ainda em 2026. O empréstimo é parte de um plano maior para levantar até R$ 18 bilhões com a venda de ativos como a CSN Cimentos, que tem um novo pretendente: a J&F, dos irmãos Batista.
💰 Petrobras avança mais em market cap
Entre as dez maiores petroleiras do mundo, a Petrobras — que ocupa o 9º lugar do ranking — foi a que teve a maior alta em seu valor de mercado desde o início da ofensiva contra o Irã: quase 19%. Com o bônus de estar fisicamente distante da guerra, a estatal surfa na alta do barril.
O MELHOR DO INVESTNEWS

A patente do Ozempic caiu — e agora?
A patente brasileira da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, expirou na última sexta-feira (20) — um marco que abre caminho para versões mais baratas do medicamento. O preço das canetas no Brasil deve cair entre 50% e 60% em dois anos.
Os similares não vão aparecer nas gôndolas da noite para o dia: oito análogos da semaglutida estão em processo de aprovação pela Anvisa; nove aguardam na fila.
Entre as empresas na expectativa do aval, uma das mais adiantadas é a EMS, que já investiu R$ 1,2 bi em uma fábrica para produzir 20 milhões de canetas por ano, cotadas em no máximo R$ 600.
O mercado global de canetas movimentou cerca de R$ 10 bilhões em 2025 e pode chegar a R$ 15,6 bilhões em 2026. O Brasil é um dos primeiros países a liberar a patente do Ozempic e será um experimento para o fim do monopólio em outros países.
Leia mais nesta reportagem de Raquel Brandão.

Pressionadas pela alta da carne, redes de fast food apostam em descontos nos EUA
O lucro das redes de fast food americanas está na berlinda. A presença do público de baixa renda nas franquias caiu em dois dígitos no ano passado, e o plano do setor é recuperá-la com descontos. Mas, com uma alta de 48% em 12 meses no preço da carne, há um limite para reduzir preços.
O problema é estrutural: o rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos. Com a matéria-prima mais cara, a margem média do setor de fast food caiu de 6,6% em 2016 para 4% em 2024.
Pudera. Em 2024, as redes de hambúrguer americanas realizaram, juntas, cerca de 3.000 promoções — quase o triplo de 2019. E o McDonald's planeja lançar, em breve, um menu de até US$ 3.
O combo de preços baixos e carne cara fez as ações da Wendy's caírem 54% em 2025. As do Jack in the Box tombaram 64%. A aposta do setor é que as promoções atraiam clientes suficientes para compensar o ticket médio menor.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
24,3%
Foi a alta no número de empresas brasileiras que estavam em recuperação judicial (RJ) no quarto trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em meio aos juros altos, o Brasil encerrou o ano passado com 5.680 empresas em RJ.
Em média, as 300 empresas brasileiras acompanhadas pela Fitch Ratings queimam 60% de sua geração de caixa só com juros de suas dívidas.
UMA FRASE
O Sudeste Asiático é muito mais dependente de combustível vindo do Golfo do que a Europa. (...) Se nós voarmos para uma cidade do Sudeste Asiático, não conseguimos trazer o avião de volta.
UM GRÁFICO

Na Páscoa deste ano, os brasileiros devem gastar 10% a mais nos supermercados em relação a 2024. O dado é de um relatório da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
A Abras diz que a alta poderia ser maior não fosse o preço “meio amargo” do chocolate: a guloseima subiu 26% desde fevereiro do ano passado — bem acima da inflação geral, que está em 3,8%.
A cotação do cacau já caiu 71% desde o pico histórico no final de 2024, mas as empresas ainda estão produzindo com estoques comprados na época da alta — e reduzindo o teor de cacau das fórmulas para preservar margens.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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