Alta do whey trava negócios e dá músculo para o colágeno
O soro de leite já foi um resíduo das fábricas de queijo. Ia para o lixo por falta de valor comercial. Em uma década, porém, se tornou um dos insumos mais disputados da indústria alimentícia: é a matéria-prima do whey protein, que triplicou de preço em um ano.
Essa alta de 200% paralisou a venda da Growth, a maior fabricante de suplementos do Brasil. A holding Merama, dona da Growth, quer R$ 4 bilhões pela empresa. Mas a escalada no preço da matéria-prima preocupa potenciais compradores.
De olho no mercado de suplementos, JBS e MBRF estão investindo centenas de milhões de reais para transformar a pele e os ossos do gado em uma outra proteína, cada vez mais popular como aditivo na indústria alimentícia: o colágeno.
O essencial: com Ozempic e similares, a demanda por proteína adicionada só tende a aumentar. Só nos EUA, a indústria de laticínios deve investir US$ 11 bilhões até 2028 para aumentar a produção de whey. E o dinheiro vem: a margem do colágeno, por exemplo, chega a 30% – bem acima do lucro de um dígito da carne bovina.
Leia mais nesta reportagem de Rikardy Tooge.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🚂 A venda da Rumo, que ficou para setembro
🏭 Um acordo de US$ 1,3 bilhão na CSN
👨🏭 A ameaça chinesa à Gerdau no Peru
💡 Por que o tungstênio subiu 622%
HIGHLIGHTS
🚂 Cosan segura venda da Rumo
A Cosan adiou em um mês o prazo para receber propostas pela sua participação de 20% na Rumo, apurou o InvestNews. O objetivo é esperar a publicação do balanço do 2T26, em 12 de agosto. Se o resultado superar as expectativas, isso pode aumentar o valor da fatia – hoje em R$ 5,3 bilhões.
🏭 CSN prestes a rolar US$ 1,3 bilhão
A CSN, em crise, está próxima do quórum necessário para rolar uma dívida de US$ 1,3 bilhão em bonds – títulos em dólar. Ela propõe aos credores trocar papéis com vencimento em 2028 e rendimento de 6,75% ao ano (em dólar, naturalmente) por novos títulos que expiram em 2030 e pagam 11%.
🛢️ Petrobras dobra o lucro com a guerra
A Petrobras lucrou R$ 52,4 bilhões no 2T26 – uma alta de 97% na comparação anual. Cortesia da guerra no Irã, que fez o petróleo disparar. O preço médio do barril ficou em US$ 104, 54% acima do registrado no 2T25. E a produção da estatal aumentou 14%.
🗑️ A eletricidade que vem do lixo
A Estre Ambiental, operadora de aterros sanitários, negocia a compra de 51% da Valorgás, uma empresa de geração de energia, segundo o Pipeline. O match: a Valorgás produz elétrons a partir do biogás, um subproduto dos aterros sanitários.
A Estre já atua na área. Caso o negócio saia, ela dobra sua capacidade instalada para 31 MW – o bastante para 120 mil residências.

Como a OpenAI perdeu a pole position da IA para a Anthropic – e o que está fazendo para recuperá-la
Quando a OpenAI liberou o ChatGPT para o público, em novembro de 2022, ele era o único player no mercado de IAs generativas de texto. E o monopólio durou: até o começo do ano passado, a OpenAI ainda dominava 85% do setor.
Em fevereiro de 2025, a Anthropic lançou sua arma secreta: o Claude Code, uma IA de programação que se popularizou entre desenvolvedores de software e empresas.
Os clientes corporativos se provaram mais rentáveis do que fornecer chatbots a pessoas físicas, o modelo no qual a OpenAI se especializou. E o Codex, resposta da OpenAI ao Claude Code lançada em abril, não conquistou muitos usuários – ou elogios.
A OpenAI reagiu rápido, em junho, com o GPT Sol 5.6. Essa é a primeira encarnação do GPT realmente boa em escrever software. E pode ajudar a pioneira da IA a recuperar seu lugar ao sol.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
US$ 5,2 bilhões
É o tanto que Azul, Gol e Latam já gastaram além do esperado em combustível por causa da guerra no Irã, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
O querosene agora responde por 39% dos custos das aéreas, contra 32% antes do conflito. O combustível acumula alta de 49% desde fevereiro.
UMA FRASE
O problema é que a China adota práticas comerciais desleais por meio de dumping.
A Gerdau, que detém um terço da produção de aço do Peru, argumenta que a Jingye usa matéria-prima com descontos subsidiados pelo governo chinês para vencer a concorrência – daí o dumping.
Ela não está sozinha. O “Cade” do Peru, chamado Indecopi, já tinha concluído em julho que alguns produtos siderúrgicos chineses estão sendo vendidos a “preços artificialmente baixos”.
UM GRÁFICO

O tungstênio está por todo lado: é a matéria-prima de brocas, bolinhas de caneta esferográfica, filamentos de lâmpada, lemes de avião e até das paredes de reatores nucleares.
A China controla 79% da produção e 53% das reservas globais desse elemento químico. Em fevereiro de 2025, em retaliação às tarifas dos EUA, Pequim impôs um controle severo às exportações. Desde então, a cotação subiu 622%.
É uma alta estonteante: o 2º lugar no ranking de metais, o tântalo, subiu “só” 196%, e não faltou pressão: ele é usado em data centers de IA, e uma zona de mineração gigantesca na República Democrática do Congo foi tomada por um exército rebelde.
VALE PARAR PARA LER
🤖 China encosta nos EUA na corrida da IA
O novo modelo de IA da chinesa Alibaba, o Qwen3.8-Max, saiu na segunda. As primeiras avaliações independentes mostram que ele é comparável ao Fable 5, o mais poderoso da Anthropic – mesmo custando 75% menos aos usuários. O lançamento é mais um avanço nos planos chineses para roubar mercado dos EUA com modelos enxutos, que exigem menos poder computacional.
Acompanhe o mercado e as notícias importantes do mundo cripto.
É ISSO. BOM FINAL DE SEMANA!
Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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