SUVs compactos: o novo front da guerra entre os carros elétricos
Seis em cada dez carros zero km vendidos no Brasil são SUVs. Dez anos atrás, eram 15%. Mas eles só dominam o mercado a combustão. Entre os elétricos, eles são nicho, com 10% das vendas.
É uma questão de preço. Modelos maiores exigem baterias parrudas. E bateria é o componente mais caro de um elétrico. A maior parte dos SUVs assim custa mais de R$ 200 mil.
Mas isso está mudando. A GWM lançou um em junho, o Ora 5, por R$ 160 mil. É um preço agressivo, que funcionou: as duas mil unidades que chegaram ao Brasil esgotaram em um dia.
O essencial: Os preços mais palatáveis são, em grande parte, fruto do barateamento das baterias – o preço delas na China caiu 33% entre 2023 e 2025. Isso também cria híbridos plug-in mais em conta: é o caso do Atto 2, da BYD, anunciado há um mês e que começa em R$ 150 mil.
Leia mais nesta reportagem de Alexandre Versignassi.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🥇 O IPO de uma mina de ouro no Amapá
🚢 O 1º abastecimento de um navio flex no país
⚡ A crise no mercado livre de energia
☢️ A privatização do urânio no Brasil
HIGHLIGHTS
🥇Um IPO no Canadá para uma mina no Amapá
A Amapa Minerals Holdings, que saiu de uma recuperação judicial em 2025, pediu para abrir capital na bolsa de Toronto – a meca das junior minings, as mineradoras de pequeno e médio porte. Eles são donos de uma mina de ouro no Amapá e planejam retomar a extração, desativada desde 2021.
🚢 O 1º abastecimento de um navio flex no Brasil
A sucroalcooleira Copersucar e a Bunker One, fornecedora de combustível marítimo, se juntaram para abastecer um navio com etanol pela primeira vez no Brasil, no Porto de Santos. O cargueiro CMA CGM Iron é flex: navega tanto com álcool quanto com o óleo combustível tradicional.
UMA IMAGEM

A DP World, que tem um terminal no Porto de Santos, também opera Jebel Ali, em Dubai, o principal hub logístico do Oriente Médio. Só que ele fica do lado “de dentro” do Golfo Pérsico, o que obriga os navios a passar pelo Estreito de Ormuz – bloqueado pelo Irã. O tráfego ali caiu 90% desde fevereiro.
Por isso, a DP World resolveu construir um novo porto no emirado de Fujairah – que tem acesso direto ao Oceano Índico e, portanto, não depende de Ormuz.
Por aqui, há obras também. A DP, sigla de Dubai Ports, está construindo um novo terminal em Santos, com a Rumo, para grãos e fertilizantes.
Na foto: O porto de Jebel Ali, em Dubai. Crédito: Charles Crowell/Bloomberg News.

China assume dianteira mundial em caviar e foie gras – com incentivo do governo
A China produz 11 mil toneladas de foie gras por ano, o que dá 45% da produção mundial e põe o país na frente da França, terra natal do produto.
Outro quitute refinado produzido por lá é o caviar: quatro em cada dez ovas de esturjão, hoje, vêm de criadouros chineses – ainda que o peixe seja nativo dos mares Cáspio e Negro.
Ambos alcançam um padrão de qualidade razoável. E o foie gras chinês sai mais barato que o francês, o que já fez a União Europeia aprovar regulações para blindar a produção local.
O essencial: nos dois casos, a liderança chinesa é fruto de incentivo governamental. Beijing está usando a produção de alimentos de luxo como estratégia para reerguer vilarejos esvaziados no campo: a população rural do país caiu pela metade desde 2000.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
R$ 6 bilhões
É o total da dívida acumulada por empresas que vendem eletricidade no mercado livre de energia.
Você, consumidor residencial, se conecta ao grid e paga a conta à concessionária local. Na indústria, por outro lado, é normal comprar eletricidade de comercializadoras privadas, negociando os preços. 40% da eletricidade usada no Brasil já vem desse mercado.
Mas ele está em crise: só entre abril e maio, quatro grandes comercializadoras pediram recuperação judicial ou extrajudicial. A 2W Ecobank contribui, sozinha, com 40% da dívida do setor: R$ 2,39 bilhões.
Falando em eletricidade…
UMA FRASE
Eles estão dispostos e com paciência para uma longa guerra judicial para manter o ativo.
A concessionária entende que a discussão estaria contaminada pelo ano eleitoral e atribui os apagões em São Paulo a eventos climáticos extremos.
Três empresas estudam a rede elétrica paulista na esperança de ficar com a concessão: Equatorial, Neoenergia e CPFL (da chinesa State Grid).
VALE PARAR PARA LER
☢️ A privatização do urânio no Brasil
A extração de urânio no Brasil é monopólio de uma estatal, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB). E falta eficiência. O país tem grandes reservas, mas a média de extração fica em 114 toneladas por ano – metade do consumo de Angra 2. De acordo com a Bloomberg, o plano é abrir essa mineração à iniciativa privada, contanto que a INB seja dona de 20% de cada empreendimento.
☀️ Um airbag para tempestades solares
Volta e meia, uma tempestade solar penetra no campo magnético da Terra. E as partículas cheias de energia que entram causam estragos: em 1989, o fenômeno causou um apagão no Canadá. Para proteger o planeta, cientistas propõem reforçar a órbita com uma rede de satélites batizada de StormWall. Eles soltariam bário e lítio no espaço – elementos que, em tese, serviriam como um escudo energético.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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