A cidade brasileira que mais tem a perder com o tarifaço
Piracicaba (SP), com 450 mil habitantes, é o município brasileiro mais atingido pelo novo tarifaço de Donald Trump: em 2024, eles mandaram aos EUA US$ 1,2 bilhão em produtos sujeitos às duas novas taxas anunciadas em julho – cinco vezes o valor da capital paulista, a 2ª colocada com US$ 239 milhões.
A explicação está nas máquinas pesadas. Elas representam boa parte das exportações de Piracicaba e não conseguiram isenção. A cidade é um polo de produção de equipamentos agrícolas e abriga uma importante fábrica da Caterpillar.
O InvestNews apurou que 90% dos itens que Piracicaba exportou para os EUA nos últimos doze meses eram produtos que a Caterpillar fabrica. Campo Largo (PR), outra cidade com fábrica deles, também figura no ranking das mais afetadas pelas tarifas.
O essencial: as sobretaxas encarecem a operação da Caterpillar por aqui e podem diminuir o papel central do Brasil na cadeia de suprimentos dessa multinacional americana.
Leia mais nesta reportagem de Greg Prudenciano.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
💰 Credores X Braskem
🧳 Uma grande acionista da CVC em crise
🧱 Mais uma megacompra do TRXF11
🐂 Um acordo bilionário da JBS na Indonésia
HIGHLIGHTS
💰 Credores X Braskem
A Braskem negou um empréstimo de US$ 700 milhões proposto pelos bancos credores, diz o Broadcast. O problema: os bancos exigem os ativos da empresa como garantia. A proteção provisória contra os credores termina logo mais, dia 24.
🧳 Acionista relevante da CVC em crise
O grupo capixaba Apex Partners pediu proteção contra os credores na Justiça por uma dívida de R$ 986 milhões – e agora tem 30 dias para apresentar um pedido de recuperação judicial. A Apex tem um fundo homônimo que detém 15% da empresa de viagens CVC.
🧱Outra megacompra do TRXF11
O fundo imobiliário TRXF11, da gestora TRX, fechou a compra de participações da Iguatemi em cinco shoppings e outlets pelo país por R$ 876 milhões. O FII está com fome de tijolo: há alguns dias, comprou R$ 2,1 bilhões em imóveis da Cyrela.
UMA IMAGEM

O Danantara, um dos dois fundos soberanos controlados pelo governo da Indonésia, anunciou a compra de 25% das operações da JBS na Austrália e na Nova Zelândia por US$ 2,5 bilhões.
Em contrapartida, o acordo prevê que, por dois anos, a JBS só vai poder usar esse dinheiro em projetos na própria Indonésia.
Em um prazo de 5 anos, JBS e Danantara planejam abrir o capital da joint venture, o que daria saída ao fundo indonésio. Caso não role um IPO, o Danantara terá a opção de trocar sua participação por ações da JBS.
Na foto: flores deixadas por empresas como o HSBC na frente da sede do Danantara em fevereiro, comemorando o primeiro aniversário do fundo. Crédito: Muhammad Fadli/Bloomberg

Baterias de sal: a resposta dos EUA à supremacia chinesa no lítio
A startup americana Peak Energy, fundada por dois ex-engenheiros da Tesla, oferece uma alternativa às baterias de lítio: baterias de íons de sódio. Elas usam sal de cozinha como matéria-prima. E já renderam US$ 1,1 bilhão em contratos à empresa.
Em 2027, eles vão inaugurar uma nova planta para fabricar 4 GW de baterias por ano. Isso dá 40 vezes a produção atual da startup – e equivale a 30% da capacidade de Itaipú.
As baterias de sódio não são só mais baratas de produzir mas também de manter. É que elas esquentam menos, e o resfriamento é 90% do custo de operar uma bateria de lítio grande, do tipo das que vão em data centers.
Não tem só peixe pequeno atrás dessa ideia. A GM, por exemplo, desenvolve suas próprias baterias de sal. O maior interessado é o governo americano, que busca uma alternativa à China: o país de Xi Jinping deve dominar 39% da extração de lítio global até 2030.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
8,8%
Foi a alta na produção brasileira de automóveis no 1º semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Nesse quesito, só ficamos atrás da indústria indiana, que cresceu 14,5%.
Enquanto isso, as produções chinesa e americana caíram respectivamente 4% e 11,7%.
As fabricantes brasileiras permanecem preocupadas, porém. É que as importações cresceram mais rápido que a produção: 22,8% no mesmo período, puxadas pelos elétricos e híbridos chineses.
UMA FRASE
As ondas de calor aumentaram a procura por equipamentos de climatização. Esperamos um mercado aquecido.
A Abrava, entidade que representa as indústrias de ar-condicionado e refrigeração no Brasil, espera uma alta de 10% no faturamento em relação a 2025 por causa do fenômeno.
Mas o endividamento das famílias preocupa o setor. Os estoques estão grandes e a produção de janeiro a maio caiu 42% entre 2025 e 2026. Em comparação ao El Niño anterior, de 2023, esperam-se vendas menores.
VALE PARAR PARA LER
🦂Greg Abel tira o escorpião do bolso
Nos últimos três anos sob gestão de Warren Buffett, a Berkshire vendeu mais ações do que comprou. Greg Abel, o novo CEO, virou o placar: a holding investiu US$ 19,8 bilhões líquidos no 2T26. Na lista de compras do trimestre estão US$ 10 bi em ações da Alphabet.
🖥️ Intel: a volta dos que não foram
Num único pregão, em 2 de agosto de 2024, as ações da Intel caíram 26% – o pior tombo em meio século de empresa. Esse dinossauro do silício, distante hoje do primeiro pelotão de hardware, demitiu 15% do quadro e quase acabou extinto. Mas, com uma mãozinha bilionária de Nvidia, SoftBank e do governo americano, volta a ser vista com bons olhos.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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