Mota-Engil cresce no vácuo das empreiteiras da Lava Jato
Faz um ano que a empreiteira portuguesa Mota-Engil ganhou a licitação para construir o maior túnel submerso do Brasil – o Santos-Guarujá. Ela avança em um setor que antes era dominado por Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, manchadas pela Lava Jato.
Um trunfo ali é a sociedade com a estatal chinesa CCCC, dona de 31% da Mota-Engil. Trata-se da maior empresa do mundo no ramo de infraestrutura de transportes.
A Mota-Engil segue na toada de uma concorrente ibérica que cresceu no mesmo contexto: a Acciona, responsável pela Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo. A espanhola já é a 2ª maior construtora do Brasil em receita.
O essencial: por ora, a Mota-Engil ocupa a 8ª posição nesse ranking com seu braço nacional, chamado ECB. Mas pode subir. Os portugueses estão negociando uma participação justamente na Odebrecht Engenharia e Construção – divisão da Novonor que, em 2025, resgatou o nome pré-Lava Jato após o escândalo. Hoje, fatura mais que a Acciona.
Leia mais nesta reportagem de Rikardy Tooge.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
📉 A crise na Pontal-Thopen
🩹 O rebranding da NotreDame
⚡ A encomenda da Engie para a WEG
💻 CXMT: a 4ª cavaleira dos chips de memória
HIGHLIGHTS
⚡ ‘Assinatura de energia solar’ em crise
A Pontal-Thopen, de energia solar, conseguiu 60 dias de proteção contra credores na Justiça e prepara um pedido de recuperação judicial. Eles operam no modelo de "energia solar por assinatura”: as usinas injetam eletricidade na rede da distribuidora e os clientes abatem o consumo na conta de luz.
🩹 NotreDame vai virar plano premium
A Hapvida, que comprou a NotreDame em 2022, vai relançar a marca como uma linha de planos de saúde premium chamada NotreDame Saúde, com acesso a hospitais como o Einstein. A medida é parte dos esforços para tirar a operadora da crise: as ações caem 95% desde o pico em 2021.
UMA IMAGEM

A Engie contratou a WEG para fornecer dois conjuntos de turbina e gerador para a Hidrelétrica Jaguara, instalada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. As máquinas, que devem entrar em operação em 2030, não vão exigir novas obras: elas se encaixam em dois poços que já existem.
A compra de R$ 1,2 bilhão amplia a capacidade da usina em 232 MW, o suficiente para abastecer uma cidade com 1 milhão de habitantes.
É bastante para os padrões atuais do setor, que anda moroso: ao longo de 2025, o Brasil ganhou apenas 256 MW de capacidade hidrelétrica.
Na foto: a UHE Jaguara, no Rio Grande. Crédito: Ernani Baraldi/Wikimedia Commons/CC BY 2.0

Como as tarifas de Trump afetam os próprios americanos
Na semana passada, os EUA aplicaram aquela nova rodada de tarifas a 80 países, de até 12,5% extras. Que elas criam um problema para o Brasil é óbvio. Menos comentados, porém, são as adversidades que as tarifas geram para os cidadãos de lá.
Os core goods – bens com preços menos voláteis, como carros, eletrodomésticos e móveis – subiram 3,1% nos primeiros 12 meses com as antigas tarifas Trump, derrubadas pela Justiça americana em fevereiro.
Para comparar: entre 2015 e 2019, antes da pandemia, os core goods caíam de preço, na média de 0,7% ao ano.
Enquanto isso, as tarifas fizeram pouco pelos dois objetivos centrais alegados por Trump – reduzir o déficit comercial dos EUA e recriar vagas na indústria. Em junho, havia cerca de 75 mil empregos a menos no setor do que em janeiro de 2025.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
466%
Foi a alta nas ações da fabricante de chips chinesa CXMT em seu pregão de estreia nesta segunda (27). O IPO levantou US$ 8,5 bilhões e foi o maior na Bolsa de Xangai desde 2010.
A CXMT é a quarta maior fabricante mundial de chips de memória DRAM, essenciais para data centers de IA. Fica atrás de Samsung, SK Hynix e Micron – todas elas também decolando em suas respectivas bolsas.
A demanda por papéis, entre investidores comuns, foi 212 vezes superior à oferta. O valor de mercado chegou a alcançar 1,6 mil vezes o lucro – e superou brevemente o da Tencent, a maior companhia de capital aberto da China.
UMA FRASE
A política de juros está sendo muito ativa na direção de machucar as empresas.
Para o economista, o grande número de recuperações judiciais é natural em um contexto de Selic tão alta, há tanto tempo: níveis de endividamento que seriam normais no passado se tornam uma bola de neve impagável.
VALE PARAR PARA LER
💵 A desigualdade nos EUA
As previsões para o PIB americano são de alta. Mas o humor dos consumidores está no pior patamar desde 2008. Parece contradição, mas é um problema no dado: hoje, os 10% mais ricos respondem por metade do consumo nos EUA; em 1995, era um terço. E as pesquisas pesam cada resposta igualmente. Ou seja: com a renda concentrada, o consumo pode subir mesmo com a maioria insatisfeita.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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