Medley: na contramão das canetas emagrecedoras
Em 2022, remédios contra a obesidade respondiam por só 1% das vendas das farmacêuticas. Hoje, são 25%. É um chamado difícil de recusar: hoje, boa parte do setor está correndo para pôr novas canetas emagrecedoras no mercado. Mas a Medley, uma das líderes em genéricos no Brasil, escolheu outro caminho.
Ela planeja se ater a produtos com vendas sólidas e pouco hype, como antibióticos e remédios para pressão alta. A cautela vem em um momento de transição: em março, a controladora francesa Sanofi fechou a venda da Medley para a brasileira EMS.
O portfólio atual, com mais de cem princípios ativos, se sustenta sem precisar de uma galinha dos ovos de ouro: a receita da Medley cresceu 23% no primeiro trimestre de 2026.
Leia mais nesta reportagem de Marcelo Sakate.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🚁 Um teste crítico do ‘carro voador’
⚡ Um recorde no leilão de megabaterias
☢️ O imbróglio de Angra III
👖 Roupas usadas: o novo negócio da H&M
HIGHLIGHTS
⛽ Petrobras encontra gás na Colômbia
A Petrobras anunciou ontem (3) a descoberta de gás natural num poço a 42 km da costa da Colômbia. Ela opera em águas colombianas por meio de uma sucursal chamada PIBCOL, e vende gás no país vizinho com uma participação de 44% – a parceira é a Ecopetrol, a Petrobras da Colômbia.
🚁 Embraer: um salto no ‘carro voador’
O eVTOL é uma alternativa elétrica de transporte aéreo: decola como um helicóptero, mas se desloca na horizontal, como um avião. A Embraer desenvolve o seu e anunciou ontem (3) que o protótipo realizou com sucesso a transição do voo vertical para o horizontal – um teste crítico.
🩺 O acordo entre Unimed e Oncoclínicas
A Oncoclínicas chegou a um entendimento para receber R$ 90 milhões da Unimed – um desconto em relação aos R$ 159 milhões que a operadora de saúde devia à rede de clínicas. O dinheiro, porém, não faz cócegas na dívida de R$ 5,2 bilhões da Oncoclínicas, que pediu recuperação extrajudicial em julho.
⚡ Leilão de megabaterias bate recorde
BESS são baterias gigantes que armazenam energia solar durante o dia para usar à noite. O Brasil abriu o primeiro leilão para contratar esse tipo de tecnologia, que atraiu um número recorde de interessados: 6.091 projetos, que somam 297 GW (21 Itaipus). Mas só vai contratar entre 2 GW e 5 GW.
UMA IMAGEM

A Axia (antiga Eletrobras) anunciou em 2025 que venderia sua participação na Eletronuclear para a Âmbar, empresa de energia da holding J&F, dos irmãos Batista. O negócio de R$ 535 milhões segue a passos de tartaruga desde então.
No cerne do imbróglio está a construção de Angra III, parada desde 2015. A Eletronuclear aguarda uma decisão do governo, o controlador da companhia, sobre a retomada das obras – a viabilidade econômica do negócio depende disso.
Na foto: tanque em Angra II usado para resfriar os bastões de combustível nuclear ao final da vida útil. A água faz jornada dupla: também serve de escudo contra a radiação. Crédito: Ricardo Beliel/Brazil Photos/LightRocket via Getty Images.

Por que as titãs do varejo de moda estão embutindo brechós em suas lojas
H&M e Banana Republic estão incluindo seções de roupas usadas em suas lojas – que não só contam pontos na pauta de sustentabilidade como mantêm a clientela atenta e próxima: quando há apenas um exemplar de cada peça, as mais raras são de quem chegar primeiro.
O mercado de brechós deve crescer 9% ao ano até 2030, duas vezes mais rápido que as vendas de roupas novas. Hoje, peças de segunda mão respondem por 10% das despesas com vestuário mundo afora.
Nas gigantes, porém, as iniciativas desse tipo ainda têm uma participação pequena no balanço: os pontos de venda de segunda mão da H&M foram responsáveis por só 0,8% da receita da empresa em 2025.
O essencial: na Europa, algo entre 4% e 9% de todas as peças novas não são vendidas e acabam queimadas. Desde 19 de julho, a União Europeia proíbe a prática e obriga os varejistas a dar um destino sustentável aos encalhes. Ou seja: a preocupação do fast fashion com desperdício tende a aumentar.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
US$ 400 bilhões
É o valor de mercado de uma possível fusão entre a farmacêutica britânica AstraZeneca e sua concorrente BMS, dos EUA. O merger, que está em negociação, criaria a 4ª maior empresa do setor – atrás apenas de Eli Lilly, Johnson & Johnson e AbbVie (a dona do Botox).
Astra e BMS têm ambas grandes divisões de oncologia, e esse é um tópico delicado para os órgãos antitruste: em geral, essas drogas são caras – com menos concorrência, podem ficar ainda mais.
Os britânicos temem que a fusão seja mais um passo da AstraZeneca na direção de deixar a bolsa londrina, em que é a segunda maior empresa listada, e mudar-se de mala e cuia para Nova York.
UMA FRASE
Muitas empresas perderam poder de repasse: conseguem reajustar preços nominalmente, mas não acima da inflação.
A inflação no período foi de 21%. E o faturamento dessas companhias cresceu, em média, 22%. Ou seja: em termos reais, as receitas estagnaram, e os consumidores não estão engolindo preços mais altos.
VALE PARAR PARA LER
💶 A nova cara do euro
Um júri com 21 especialistas escolheu dez finalistas entre 1.200 propostas para redesenhar as notas do euro (veja aqui alguns candidatos). Elas se dividem em dois tipos: "cultura europeia", com os rostos como os de Beethoven, Marie Curie e Cervantes, e "rios e aves europeias", com espécies típicas e paisagens. Três das dez opções têm design vertical – um layout incomum, usado hoje pelo franco suíço.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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