MInério de ferro: três novas fronteiras e um gargalo – a falta de trilhos
O Brasil é o segundo produtor de minério de ferro do mundo: extrai 430 milhões de toneladas por ano, atrás só da Austrália. 95% disso vem de Carajás, no Pará, e do quadrilátero ferrífero, em Minas Gerais.
Enquanto isso, na série B, três regiões estão despontando: Corumbá (MS), o sertão da Bahia e o interior do Piauí.
A produção desses outsiders cresceu de 7,4 para 15 milhões de toneladas entre 2020 e 2025 – o que elevou a participação no total de 1,9% para 3,5%. Se essa produção fosse de um país à parte, ele já seria o 16º produtor global, atrás da Turquia.
O essencial: nos três casos, o gargalo é a logística. Nenhum têm conexão ferroviária direta com um porto. Em Corumbá, a solução foi o Rio Paraguai. Na Bahia e no Piauí, boa parte do frete é via caminhão – uma opção tão eficaz quanto entregar geladeiras de bicicleta.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🛠️ Os novos ativos da Alcoa no Brasil
💰 Os interessados no espólio do Digimais
🚗 GM, Stellantis e Renault de olho em SKD
📄 A crise das agências reguladoras brasileiras
HIGHLIGHTS
🛠️ Alcoa compra ativos da South32 por US$ 4,1 bi
A titã do alumínio Alcoa fechou um acordo de US$ 4,1 bilhões para comprar participações da mineradora australiana South32 em operações de bauxita na Austrália, na África do Sul e no Brasil. Por aqui, os ativos são fatias na Alumar, no Maranhão, e na MRN, a maior produtora nacional da matéria-prima do alumínio.
💰 Fila pelo Digimais tem cinco bancos além do BTG
Segundo o Pipeline, além do BTG, cinco bancos estão de olho no Digimais, inclusive o Safra. O objetivo é abater R$ 3 bilhões em impostos, já que o banco de Edir Macedo, suspeito de fraude, tem crédito tributário acumulado.
💊 Indiana Lupin vende operação no Brasil por R$ 300 milhões
Segundo o Valor, a farmacêutica indiana Lupin pôs à venda a MedQuímica, sua operação brasileira, por cerca de R$ 300 milhões. Biolab e uma canadense analisaram o negócio, mas o preço estaria além da qualidade do ativo: a subsidiária teve prejuízo líquido de R$ 112 milhões no último ano fiscal.
🥩 Frigorífico dá férias coletivas após bater cota chinesa
O Frigol, um dos cinco maiores frigoríficos do país, deu férias coletivas aos funcionários de uma planta no Pará, e voltará a operar em meados de julho com 30% menos produção. A razão é que o Brasil bateu sua nova cota de exportação de carne para a China, e só pode retomar os embarques no último trimestre.
UMA IMAGEM

Renault, Stellantis e GM consideram adotar, no Brasil, os sistemas CKD e SKD, em que os componentes chegam prontos do exterior e as fábricas só juntam as peças. Os três grupos já montam kits das chinesas Geely, Leapmotor e Wuling em suas fábricas.
SKD e CKD podem ser especialmente rentáveis no caso de modelos acima dos R$ 150 mil, que têm mais tecnologia embarcada e são produzidos em menor quantidade.
Trazer os componentes de fora é mais atraente no caso dos eletrificados, já que o Brasil não domina a extração e o refino de várias matérias-primas essenciais para fabricar baterias e outras peças.
Foto: Fábrica da GM em São José dos Campos (SP). Crédito: Marcos Issa/Bloomberg

A era do "use IA à vontade" acabou – agora, as empresas estão racionando tokens
Depois de meses incentivando funcionários a usar IA sem restrições – algumas empresas chegaram a criar rankings internos para estimular o uso – o mundo corporativo agora está racionando as ferramentas.
Boa parte da culpa é dos agentes de IA autônomos, que realizam tarefas por conta própria dentro do PC. Eles consomem até 50 vezes mais poder computacional do que um chatbot comum. E rendem boletos dolorosos no fim do mês.
O Goldman Sachs estima que o uso anual de tokens – a unidade de medida de uso das IAs – por agentes autônomos deve subir de 15,3 quatrilhões em 2027 para 101,4 quatrilhões em 2030. Os chatbots comuns, para comparar, devem chegar lá torrando “só” 16,3 quatrilhões.
O essencial: algumas das soluções já adotadas em empresas mundo afora são trocar modelos grandes e caros por versões menores ou de código aberto, e cobrar separadamente cada departamento pelos gastos com IA.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
R$ 27,1 bilhões
Foi o prejuízo da Raízen no ano-safra encerrado em março – o ano na empresa começa em 1° de abril, para sincronizar com o ciclo de colheita e moagem da cana.
É uma alta de 545% em relação aos R$ 4,2 bilhões do ciclo anterior, encerrado em março de 2025.
O número já era esperado – cortesia de apostas malsucedidas, safras fracas e dívida alta sob juros estratosféricos.
UMA FRASE
Eu já fiquei conhecido no governo como o rapaz que pede dinheiro.
Theo preside o Comitê das Agências Reguladoras Federais (Coarf), que reúne ANM, Aneel e outras doze entidades do tipo. Elas perderam 25% do orçamento e 13% dos servidores desde 2015. Este ano, 18% da verba já foi bloqueada.
A ANM, por exemplo, recebeu 3 mil pedidos de exploração de terras raras desde 2023, mas tem só quatro servidores cuidando do assunto.
O essencial: o investimento em infraestrutura no Brasil deve bater um recorde de R$ 300 bilhões este ano, mas as empresas precisam de estabilidade regulatória para aportar dinheiro aqui – coisa que as agências, sucateadas, não conseguem fornecer.
UM GRÁFICO

De acordo com a edição mais recente do Global Wealth Report, produzido pelo banco suíço UBS, existem cerca de 7 milhões de pessoas no mundo com mais de US$ 5 milhões (R$ 26 milhões). É o maior número da história.
A China foi, de longe, o país que mais ganhou ricos neste século: o número de indivíduos com mais de US$ 5 milhões, por lá, cresceu mais de 20% desde o ano 2000.
Em números absolutos, porém, eles têm “só” 516 mil pessoas com riqueza entre US$ 5 milhões e 100 milhões, contra 4,1 milhões de americanos. No Brasil, são 43 mil indivíduos. O país ganhou, em média, 25 novos milionários em dólar por dia em 2025.
VALE PARAR PARA LER
🦓 A ciência das zebras
A Alemanha caiu diante do Paraguai na grande zebra da Copa de 2026 até agora. Resultados inesperados são 2,2 vezes mais comuns durante o Mundial: ocorrem em 15,8% dos jogos, contra 7,2% nas ligas nacionais. A explicação é que as seleções têm menos tempo para treinar e entrosar – o que torna difícil prever o desempenho coletivo só com base nas estatísticas individuais.
Acompanhe o mercado e as notícias importantes do mundo cripto.
É ISSO. ATÉ AMANHÃ!
Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
GOSTA DE O ESSENCIAL? COMPARTILHE E GANHE!
Se você indicar esta newsletter para 2 pessoas, ganha um ano de assinatura digital do The Wall Street Journal. Aproveite 😉
Você indicou {{rp_num_referrals}} pessoa(s). Com mais {{rp_num_referrals_until_next_milestone}} indicação(ões) você recebe sua assinatura.
Ou copie e cole sua URL para indicar: {{ rp_refer_url }}.
📲 Compartilhe pelo Whatsapp
📬 Recebeu a newsletter de alguém?
Patrocinado por

