A CSN Cimentos deu certo. Justamente por isso, Steinbruch precisa vendê-la
Benjamin Steinbruch investiu R$ 6 bilhões para tornar a CSN Cimentos uma concorrente à altura da Votorantim, a líder do setor. Conseguiu. Mas o plano sucumbiu às dificuldades da empresa-mãe, a siderúrgica, que sofre com uma dívida alta e perdeu fôlego com a queda no preço do aço.
Vender a cimenteira agora é uma parte central do plano para reduzir a dívida da CSN como um todo. O negócio deve fechar por algo em torno de R$ 11 bilhões.
Por um lado, a CSN Cimentos deu R$ 1,3 bilhão em lucro operacional em 2025. É o melhor desempenho de sua história. Por outro, abater R$ 11 bilhões em dívidas economiza R$ 1,5 bi por ano em juros do Grupo CSN. A conta fecha.
O essencial: há cinco concorrentes no páreo pela CSN Cimentos. Três são estrangeiras, e uma das interessadas é a própria Votorantim. Ou seja: Steinbruch se endividou além da conta, mas construiu uma empresa com desempenho sólido. E agora todos querem ficar com ela.
Leia mais nesta reportagem de Rikardy Tooge e Raquel Brandão.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🏥 A proposta das gestoras americanas pela Amil
🌾 Uma briga de inquilinos nas terras da Radar
⚙️ 600 motores da Weg em uma mina de lítio
🛢️ A tacada certeira do homem mais rico da África
HIGHLIGHTS
🏥Gestoras dos EUA fazem proposta pela Amil
Segundo o Broadcast, as gestoras americanas Advent International e Bain Capital – duas das maiores do mundo –, fizeram uma oferta pela Amil na faixa dos R$ 10 bilhões. O valor exato não foi divulgado. José Seripieri Filho, o controlador, deseja vender uma participação, mas não toda a companhia.
🌾 Disputa por terra trava venda bilionária da Cosan
A SLC Agrícola alegou direito de preferência como arrendatária e cobriu a oferta de R$ 1,85 bilhão do grupo Bom Futuro por 412 km² de terras da Radar no Mato Grosso. O problema é que o Bom Futuro também arrenda parte do terreno, e alega o mesmo direito. O impasse atrasa o pagamento que a Cosan, dona de 50% da Radar, usará para pagar dívidas.
🛒 Família Coelho Diniz segue Silvio Tini e passa de 25% no GPA
Os Coelho Diniz elevaram sua fatia no GPA para 25,1% dias após o conselho derrubar uma cláusula que impedia os acionistas de terem mais de um quarto dos papéis. Eles seguem os passos de Silvio Tini, que elevou sua participação a 25,8% após a mudança no estatuto.
🚂 Grupo Ultra desiste de fatia da Rumo
Segundo Lauro Jardim, no O Globo, o grupo Ultra desistiu da disputa pela fatia de 20% que a Cosan detém na Rumo Logística. O BTG coordena a oferta, que ainda tem oito interessados.
🛡️ Braskem ganha fôlego na Justiça, mas nem tanto
A 2ª Vara de Falências de SP concedeu à Braskem 60 dias de proteção contra credores. Mas não foi uma vitória completa. A empresa também queria impedir que credores usassem cláusulas de contrato para cobrar dívidas antes do prazo. O juiz disse não.
Ou seja: a Braskem não precisa pagar nada agora. Mas, depois dos 60 dias, pode ter de arcar com a antecipação de vencimentos.
UMA IMAGEM

A mina de Thacker Pass, no estado de Nevada, é o maior depósito de lítio já encontrado nos EUA. E garantiu um bom contrato para a WEG: a catarinense fechou a venda de 600 motores elétricos para uma mineradora que vai operar ali, a Lithium Americas.
O projeto, que conta com 38% de participação da General Motors, deve começar as atividades em 2027 e vai extrair 40 mil toneladas de carbonato de lítio por ano – o suficiente para fabricar 800 mil carros elétricos.
Na foto: motores da WEG na fábrica de Jaraguá do Sul (SC). Crédito: Maira Erlich/Bloomberg.

Ex-executiva da Meta vai à Justiça pelo direito de divulgar livro com podres da empresa
As memórias de Sarah Wynn-Williams sobre seu tempo no alto escalão da Meta venderam 130 mil cópias e entraram na lista de mais vendidos do New York Times. Mas ela está há um ano sem dar palestras ou entrevistas: a Meta entrou com uma ação arbitral que impede a executiva de divulgar o livro.
Na obra, Wynn-Williams acusa superiores de assédio sexual e alega que a empresa ofereceu dados de cidadãos chineses e americanos ao governo chinês em troca do aval para operar lá.
Em 2017, quando saiu da empresa, ela assinou um contrato de “não-difamação” que a impedia de falar mal da companhia e a obrigava a resolver qualquer disputa com um árbitro extrajudicial.
Wynn-Williams descumpriu sua parte, mas há um porém aí: em 2022, a Califórnia aprovou uma lei que impede empregadores de usar esse tipo de acordo para ocultar atos ilícitos. Apoiada nisso, a executiva agora foi à Justiça contra a Meta.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
49%
dos brasileiros afirmam não ter nenhum medo de que a IA faça sua profissão desaparecer. Apenas 20% dizem ter muito medo.
A desconfiança diminuiu: um ano atrás, no mesmo levantamento do Datafolha, só 41% se sentiam seguros – e 26% dos entrevistados tinham muito medo.
55% dos 2 mil entrevistados nunca usaram uma IA. E só 17% usaram no trabalho. A amostra inclui pessoas de 139 municípios brasileiros, cerca de um quarto do total.
UMA FRASE
Nosso modelo de negócios, que foi bem-sucedido por décadas, hoje não funciona mais.
A Volks perdeu a liderança no mercado chinês para a BYD e a Geely, está arcando com tarifas de importação salgadas para Audis e Porsches nos EUA e paga cada vez mais caro por mão de obra e energia na Europa.
Blume está considerando alugar espaço ocioso em suas fábricas para montadoras chinesas. Sinal dos tempos.
VALE PARAR PARA LER
👨⚖️ Senadores dos EUA se levantam contra a Polymarket
Senadores americanos pediram uma investigação após uma reportagem revelar que a Polymarket paga influencers para encenarem apostas falsas nas redes. A Polymarket opera um site de apostas que usa a mecânica da negociação de derivativos. Os congressistas dizem que a CFTC, a agência reguladora do mercado de derivativos dos EUA, não está preparada para lidar com “jogos de azar”.
🛢️ O lucro do homem mais rico da África com o fechamento de Ormuz
Aliko Dangote, o homem mais rico da África, gastou US$ 20 bilhões nos últimos anos para construir uma das maiores refinarias de petróleo do mundo, na Nigéria. E colhe os frutos: a Dangote, petroleira de Aliko, se tornou a maior exportadora global de querosene de aviação com a guerra no Irã – e elevou a fortuna do fundador de US$ 24 bilhões em 2025 para US$ 30,4 bi hoje.
ERRATA
Na edição da última sexta (26), em uma das menções à Motiva (antiga CCR), grafamos o nome da concessionária de rodovias como “Movida”, a locadora de veículos.
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É ISSO. ATÉ AMANHÃ!
Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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