De contrato novo, Light precisa provar que consegue parar em pé
Três anos atrás, a Light entrou em recuperação judicial com R$ 11 bilhões em dívidas. Agora, a distribuidora que atende o Rio desde 1904 está de volta: renovou a concessão por três décadas, anunciou R$ 10 bilhões em investimentos e deve sair da proteção contra credores no 2º semestre.
Parte da crise que eclodiu em 2023 foi culpa do tráfico e das milícias. Um terço da energia da Light acaba roubada em “áreas com severas restrições operativas”, eufemismo para territórios em que nem os Correios entram.
O essencial: O novo contrato é mais flexível com essas perdas inevitáveis. E um aporte de R$ 1,5 bilhão deve sair em 90 dias, ancorado pelos acionistas de referência: Ronaldo Cezar Coelho, Carlos Alberto Sicupira e BTG Pactual. A Light ganhou uma segunda chance – agora, precisa provar que para em pé.
Leia mais nesta reportagem de Rikardy Tooge.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
💧 A privatização da Copasa, que acabou adiada
🛣️ Um investimento chinês nas rodovias paulistas
💻 Os novos data centers da Ascenty
💰 Suíça não é mais a campeã de contas offshore
HIGHLIGHTS
💧 Governo mineiro adia privatização da Copasa
O governo de Minas deve refazer o processo de privatização da Copasa. As ofertas da Equatorial (acionista de referência da Sabesp) e da Livorno (o consórcio de acionistas da Aegea) ficaram 10% abaixo da cotação das ações da Copasa e 5% abaixo do preço mínimo estipulado pelo governo.
🛣️ China faz aporte em rodovias paulistas
O Patria Investimentos captou R$ 1,19 bilhão para a Eixo SP, que opera 1,2 mil km de rodovias paulistas. O investidor por trás é o fundo soberano da Nova Rota da Seda, uma iniciativa chinesa para financiar infraestrutura em outros países. Recentemente, eles também compraram uma fatia da Aliança Energia.
⚡ Âmbar Energia investe na rede do Amazonas
A Âmbar, da holding J&F, vai investir R$ 2,3 bilhões entre 2026 e 2028 para modernizar a rede de energia elétrica do Amazonas, onde acabou de assumir a concessão. A empresa dos irmãos Batista está marcando presença no Norte: em abril, comprou a distribuidora Roraima Energia.
🏨 Fundo canadense entra em hotéis Hilton no Rio e em São Paulo
O fundo de pensão canadense CPPIB fechou um acordo para comprar 50% dos hotéis Hilton de Copacabana e do Morumbi, apurou o InvestNews. Quem está na ponta vendedora é a gestora HSI, que segue com os outros 50% e continua responsável pela gestão dos dois ativos.
UMA IMAGEM

Cinco anos atrás, a Nvidia punha até US$ 15 bilhões por ano em Taiwan. Hoje, o investimento é dez vezes maior, e a titã dos chips de IA começou ontem (27) a construir um escritório na ilha para 4 mil funcionários.
Taiwan é lar da TSMC, que tira 22% de sua receita fabricando GPUs que a Nvidia desenha. Outras empresas locais, como Foxconn, Wistron e Quanta, também fornecem hardware aos americanos.
O essencial: “Taiwan é o epicentro da revolução da IA”, diz o CEO Jensen Huang.
O problema: Pequim considera a ilha separatista parte de seu território. Uma ação militar chinesa colocaria em risco a cadeia de suprimentos de hardware de IA e revelaria segredos industriais das big techs americanas.
Na foto: C.C. Wei, CEO da TSMC, e Jensen Huang, CEO da Nvidia, se cumprimentam após um jantar em Taipei, capital de Taiwan. Crédito: Lam Yik Fei/Bloomberg.

O turismo em Cuba está sucumbindo às sanções dos EUA
O fluxo de turistas em Cuba caiu 48% no 1º trimestre em relação a 2025. O cerco de Trump à entrada de petróleo deixou os aeroportos sem combustível e a ilha e os hotéis à mercê de apagões diários.
O movimento nos restaurantes em Havana caiu até 90%. Hotéis veem a taxa de ocupação cair de 80% para 5%.
O essencial: O turismo é 10% do PIB da ilha. Além disso, os dólares e os euros que entram com os gringos são essenciais para o país pagar importações: 80% da alimentação de Cuba vem de fora.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
R$ 6 bilhões
É o tanto que a Ascenty vai investir em quatro novos data centers de IA nos arredores de Campinas, no interior de São Paulo.
Somados, esses projetos aumentam em 40% a capacidade computacional total oferecida pela empresa – que, hoje, tem 26 data centers em operação e 14 em construção.
UM GRÁFICO

Hong Kong ultrapassou pela primeira vez a Suíça no ranking de países e territórios que mais guardam dinheiro de cidadãos de fora. São US$ 2,95 trilhões, contra US$ 2,94 tri dos helvéticos.
59% do dinheiro ali vem da China. Vale lembrar: Hong Kong é parte da China, mas trata-se de um território semiautônomo, com moeda e mercado financeiro próprios, e bem mais conectados ao mercado global.
Do lado suíço, o sigilo bancário não é mais o mesmo. O divisor de águas veio em 2009, quando os EUA pressionaram o UBS a revelar as identidades de 4,4 mil clientes suspeitos de evasão fiscal.
VALE PARAR PARA LER
📊 O raio X dos boards brasileiros
No Brasil, a remuneração mensal média dos presidentes de conselho é de R$ 197 mil – o triplo dos R$ 66 mil pagos às demais cadeiras do board. Apenas 3% dos conselhos têm mulheres no papel de chair ou co-chair, longe da taxa de 30% nos EUA e na Europa. Esses são alguns dados da edição de 2025 da pesquisa Board Index Brasil, que você lê aqui.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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