Ascensão e queda de Lavoro e AgroGalaxy
Em 2021, a distribuidora de insumos agrícolas AgroGalaxy estreou na B3. Depois, em 2023, sua concorrente Lavoro abriu capital na Nasdaq. Com recursos de fundos, ambas cresceram de carona na valorização de commodities agrícolas com o impulso da invasão da Ucrânia.
Essas são empresas de meio de campo: compram insumos agrícolas em escala e revendem aos produtores. Quanto mais clientes, mais fácil negociar descontos com os fornecedores. Em tempos de bonança, o modelo vingou.
Mas o sonho durou pouco. A Selic subiu mais, uma nova onda de insumos agrícolas genéricos minguou a rentabilidade na venda de moléculas patenteadas e a inadimplência dos produtores explodiu com o fim do ciclo de alta das cotações.
Agora, Lavoro e AgroGalaxy contam com novos donos especializados em empresas em dificuldades financeiras, como parte de um contexto maior: no total, empresas do agro entraram com quase 2 mil pedidos de recuperação judicial em 2025.
Leia mais nesta reportagem de Rikardy Tooge.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
💰 Investimento estrangeiro cresce no Brasil
🔎 Itaúsa avalia Aegea em R$ 40 bi
🏭 Arauco põe todas as fichas em mega fábrica
💄 Natura faz um facelift na Avon
HIGHLIGHTS
💰 Estrangeiro amplia interesse no Brasil
Investidores estrangeiros participaram de 41% do total de fusões e aquisições de empresas brasileiras ao longo de 2025, uma alta em relação aos 31% de 2024. E 2026 promete: nos primeiros dois meses do ano, os dados da consultoria Dealogic mostram que 76% das transações envolveram dinheiro de fora.
☕ 3corações compra Yoki e Kitano
A americana General Mills fechou a venda da Yoki e Kitano à 3corações por R$ 800 milhões, em um pacote que inclui duas fábricas nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso. As duas marcas brasileiras, juntas, geraram US$ 350 milhões em vendas em 2025.
🔎 Itaúsa avalia Aegea em R$ 40 bi
A holding Itaúsa, dona de 13% da Aegea, avalia a companhia de saneamento em no mínimo R$ 40,5 bilhões às vésperas de seu IPO, que pode ocorrer no início de junho. A diretora financeira Priscila Grecco disse ainda que a Aegea tem interesse em comprar uma participação na mineira Copasa.
UMA IMAGEM

A chilena Arauco está construindo a maior fábrica de celulose do planeta no Mato Grosso do Sul. O projeto Sucuriú ocupa 35 km², o que dá 4.900 campos de futebol, e terá capacidade para produzir o equivalente a 32% do output total da Suzano, líder mundial do setor.
O desafio: o complexo de Sucuriú custará US$ 4,6 bilhões e a dívida da Arauco já está em 5,15 vezes o Ebitda. As agências S&P e Fitch colocaram a nota da empresa em observação.
O lucro da Arauco tombou 90% em 2025, em parte porque o preço da celulose caiu 15% desde a máxima de 2024. O CFO já tem um plano de contingência, que inclui vender ativos e, se necessário, usar o caixa polpudo da holding Copec, sua controladora.
A aposta é que as agências de rating olhem para o futuro — e que o salto de produção esperado para 2028, quando o complexo sair do papel, será argumento suficiente para segurar o grau de investimento.
Na foto: Terreno do projeto Sucuriú, em Mato Grosso do Sul, no início das obras. Crédito: Divulgação.

Banco Mundial passa a recomendar intervenção do Estado na economia
Por três décadas, a recomendação oficial do Banco Mundial foi que todo país evitasse tarifas, subsídios e outras formas de intervenção do Estado na atividade econômica — dentro da chamada “política industrial”.
Em um relatório publicado ontem, eles mudam o receituário. “Esse conselho não envelheceu bem. Hoje, tem a utilidade prática de um disquete”, escreveu Indermit Gill, economista-chefe do órgão.
Na prática, a recomendação não foi popular: hoje, 183 países adotam alguma política industrial — quase todos, portanto. Os mais pobres chegam a mirar 13 setores para ajudar ao mesmo tempo.
Nos últimos 12 meses, 80% dos economistas do Banco Mundial receberam algum governo em busca de orientações sobre política industrial. Para atendê-los, o órgão agora fornece recomendações oficiais sobre 15 tipos de intervenções, que vão além do básico sobre tarifas e subsídios.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
US$ 157,66
Foi o preço inédito alcançado ontem, na bolsa de Dubai, para o barril de petróleo no contrato para carregamento em maio.
O “prêmio”, que é a diferença entre o preço do barril na vida real e contratos derivativos, está em US$ 60. Em fevereiro, era de 90 centavos.
Para fins de comparação, a maior cotação da história do Brent foi de US$ 147,50 em 2008.
UMA FRASE
"Os lançamentos residenciais estão cada vez mais focados em unidades menores, sem infraestrutura para armazenar. E todos passaram a consumir online na pandemia, hábito que permanece."
VALE PARAR PARA LER
💄 Avon: a volta dos que não foram
A receita da Natura no Brasil caiu 4,8% no quarto trimestre de 2025, na comparação anual. O resultado foi, em grande parte, culpa da Avon, comprada em 2020. Para reverter o cenário, a Natura acaba de relançar a marca no Brasil e no México com um novo público-alvo em mente: mulheres jovens e heavy users de redes sociais em busca de produtos acessíveis.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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