Cosan prepara venda da Rumo em meio à construção de ferrovia de R$ 11 bilhões no Mato Grosso
Após semanas de boatos, a Cosan confirmou nesta segunda (29) que avalia vender sua participação de 20% na Rumo – uma das joias da holding de Rubens Ometto –, e que contratou o BTG para conduzir o processo.
No momento, há oito interessados. A lista inclui a Bunge, uma das maiores tradings agrícolas do mundo, e a Inpasa, maior produtora de etanol de milho da América Latina. Hoje, 52% de tudo que os trens transportam é soja e milho.
A Rumo se tornou a maior operadora de ferrovias do país após a fusão com a ALL em 2014. Herdou a operação das malhas Norte, Sul, Oeste e Paulista. Ao todo, são 12 mil km de trilhos.
O essencial: Pedro Palma deixou o posto de CEO após dois anos. Daniel Rockenbach, executivo da casa, ficou como interino. Após o negócio, a nova controladora da Rumo deve mexer no C-level. Até lá, cabe a Rockenbach tocar as obras da ferrovia de R$ 11 bilhões que ligará Mato Grosso ao Porto de Santos.
Leia mais nesta reportagem de Camila Barros.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🍖 O retorno da Ceratti a mãos brasileiras
⚡ A nova fatia do Itaú na Energisa
🛟 A ameaça do El Niño às hidrovias amazônicas
🖥️ O pior mês da Microsoft desde 2000
HIGHLIGHTS
🍖 Ceratti volta a mãos brasileiras
A processadora de carne Zanchetta Alimentos, de Boituva (SP), comprou a Ceratti do grupo americano Hormel Foods. Com o negócio, a líder da mortadela volta a mãos brasileiras após dez anos sob controle gringo. A Ceratti, fundada em São Paulo em 1932, detém 80% do mercado do embutido no país.
⚡ Itaú Unibanco compra 10% na holding da Energisa
A Energisa assinou um acordo para o Itaú Unibanco entrar como investidor na Denerge Desenvolvimento Energético, um conglomerado com participações em várias distribuidoras de eletricidade do grupo Energisa. O banco deve entrar com R$ 1,4 bilhão e passará a deter 10% da holding.
🚗 Movida compra frota da Copel
A Movida comprou toda a frota da Copel por R$ 100 milhões. O negócio inclui 724 veículos e, também, os contratos de locação que a elétrica tinha com a gestora de frotas CS Brasil – que rendem R$ 3,3 milhões por mês. Detalhe: Copel e CS Brasil são da mesma holding, a Simpar. Foi um acordo entre amigos.
💵 Grupo Mateus é autuado pela Receita em R$ 1,28 bilhão
A Receita Federal autuou o Grupo Mateus, maior varejista do Nordeste, em R$ 1,28 bilhão por irregularidades nos impostos de uma subsidiária, o Armazém Mateus. São R$ 493 milhões que deveriam ter sido pagos em 2022 e 2023, mais R$ 789 milhões em multas e juros. A empresa pode recorrer.
UMA IMAGEM

O governo federal assinou um contrato de R$ 123 milhões para dragagem do rio Madeira – a hidrovia mais importante do Norte, por onde escoa 4% da soja produzida no Brasil. “Dragar” é remover o sedimento que se acumula no leito para manter o rio navegável.
A Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) entende que isso não é o bastante, e acusa o governo de negligência com as hidrovias.
“Os rios são os meios mais viáveis para o escoamento de cargas na região, mas esse transporte é constantemente interrompido por falta de profundidade", diz o presidente da ABTP.
O essencial: o setor hidroviário teme que o El Niño de 2026 repita a seca de 2023, quando os rios na Amazônia atingiram o menor nível em 120 anos – causando R$ 1,4 bilhão de prejuízo.
Na foto: Balsa na confluência entre os rios Amazonas e Tapajós. Crédito: Tarcisio Schnaider/Getty.

Os data centers em órbita de Elon Musk são demais até para o fundador do SoftBank – que tem fama de excêntrico
O japonês Masayoshi Son, fundador do SoftBank, é um magnata pouco ortodoxo: tem um plano de negócios com metas para daqui três séculos, e seu histórico de investimentos de risco – vários deles, escolhidos puramente na intuição – inclui hits como a Alibaba e fracassos como o WeWork.
Embora não tenha medo de arriscar – e seja um grande entusiasta da IA, com 11% de participação na OpenAI – Son não está convencido pela aventura mais recente de Elon Musk: instalar data centers no espaço.
Para Son, vai levar pelo menos uma década para viabilizar a ideia, e esse seria um horizonte muito longo para um mercado que muda tão rápido.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
1.754 TWh
Deve ser o consumo de energia elétrica no Brasil em 2050 – uma alta de 129% em relação aos 764 TWh atuais, de acordo com a consultoria Envol.
Parte dessa alta vai alimentar data centers. Um estudo da UFRJ prevê que eles vão consumir 105 TWh ao ano em 2040. Hoje, são 8,2 TWh.
Já a eletrificação da frota não deve fazer muita diferença: embora o número de elétricos e híbridos no Brasil deva dobrar até 2035, a participação deles no consumo total ficaria em 0,65%.
UMA FRASE
As rotas disponíveis para navegação são extremamente limitadas. Ainda estamos longe de retornar às condições anteriores ao fechamento.
De acordo com a Organização Marítima Internacional, há cerca de 80 minas escondidas nas principais rotas do estreito.
A seguradora Allianz estima que o bloqueio já impediu a passagem de 1,2 mil navios, carregando US$ 125 bilhões em cargas como petróleo, gás e fertilizantes.
VALE A PENA LER
📱WhatsApp terá nomes de usuário
Nesta segunda (29), o WhatsApp começou a liberar, pouco a pouco, um sistema de nomes de usuário. Com a novidade, você não vai mais precisar compartilhar seu número com estranhos ou empresas para conversar com eles – uma possibilidade que já existe há anos em concorrentes como o Signal e o Telegram.
🖥️ O pior mês da Microsoft na bolsa desde 2000
As ações da Microsoft caíram 17% em junho até agora, no pior desempenho mensal da empresa desde dezembro de 2000 – quando estourou a bolha da internet. A dona Windows não vai bem na corrida da IA, e os investidores questionam o futuro das empresas de software enquanto Cursor e Claude substituem programadores.
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É ISSO. ATÉ AMANHÃ!
Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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