O mundo está ficando sem energia para IA – e isso coloca o Brasil no mapa dos data centers
Elon Musk planeja pôr data centers em órbita, e a China já opera um no fundo do mar. Não é megalomania gratuita: no espaço, há energia solar o tempo todo – e, no mar, a refrigeração sai de graça.
São dois jeitos de obter energia abundante, já que os data centers de IA bebem Watts com o ímpeto de uma planta de produção de alumínio.
O Brasil é o terceiro maior produtor de energia renovável do mundo e gera mais eletricidade do que consome – vide o curtailment. Por essas e outras, já há 206 data centers em operação por aqui, e R$ 80 bilhões em projetos anunciados no país.
O essencial: conforme os EUA esgotam sua capacidade de abastecer essas estruturas – na Virgínia, a fila para se conectar ao grid já é de sete anos –, o Brasil se torna um destino cada vez mais atraente para os investimentos no setor.
Leia mais nesta reportagem de Camila Barros, a primeira de uma série do InvestNews sobre a corrida dos data centers no Brasil.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🚂 O destino da Rumo
👷 A nova jazida da Votorantim
💬 A norma natimorta da CVM
🦕 A volta dos dinossauros da tecnologia
HIGHLIGHTS
🚂 Cosan teria posto a Rumo à venda
Segundo Lauro Jardim, em O Globo, a Cosan abriu negociações para vender o controle da Rumo. Grupo Ultra e Inpasa, entre outros, estariam no páreo pela operadora de ferrovias, que vale R$ 25 bilhões na bolsa. A Cosan negou, dizendo que só estuda a venda de participações minoritárias.
👷 Grupo João Santos vende jazida à Votorantim
O grupo cimenteiro João Santos, em recuperação judicial, vendeu à Votorantim uma jazida de calcário em Ribeirão Grande (SP) – a última grande reserva disponível no estado – por R$ 250 milhões. A dívida da João Santos estava em R$ 4 bilhões no início da RJ.
UMA IMAGEM

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revogou uma norma que entraria em vigor em 2027 e obrigaria as empresas de capital aberto a publicar relatórios de clima e sustentabilidade.
O órgão atendeu a pedidos como o da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca). Eles alegam que a norma traria gastos com auditoria em um contexto em que as empresas estão sobrecarregadas com outras demandas, como a reforma tributária.
O objetivo era combater o greenwashing: a prática de inflar dados sobre medidas de preservação da natureza para passar uma boa impressão.
Na foto: Centro de Inovação da Natura em Cajamar (SP), uma referência em arquitetura corporativa verde no Brasil. Crédito: Guilherme Missumi/Divulgação.

A Berkshire tem uma seguradora discreta, mas fundamental. E ela também vai mudar de presidente
Warren Buffett não construiu sua fortuna “só” investindo nas ações certas: uma parte relevante de suas receitas vem da divisão de seguros da Berkshire Hathaway, braço que administra mais de US$ 500 bilhões em ativos.
Assim como a própria holding, que agora tem Greg Abel como CEO, a seguradora está prestes a mudar de comando: Ajit Jain, de 74 anos, vai se aposentar; o sucessor mais cotado é Charlie Shamieh, atual presidente do conselho de outra seguradora, a Gen Re.
Shamieh fez carreira manobrando seguradoras em crise. Não é o caso da Berkshire, mas o futuro promete: desastres naturais bateram recordes em 2025, e as famílias americanas estão com dificuldades para arcar com os seguros residenciais.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
€ 75 bilhões
O equivalente a R$ 440 bilhões. É o quanto o grupo japonês SoftBank planeja investir em 5 GW de data centers na França.
A primeira etapa prevê € 45 bilhões para entregar 3,1 GW até 2031. Isso dá quase metade de toda a capacidade computacional que a Europa tem hoje.
O essencial: 70% da eletricidade na França vem de usinas nucleares, que são ideais para alimentar servidores: funcionam 24/7 (ao contrário de usinas solares e eólicas) e não estão sujeitas à geopolítica volátil dos combustíveis fósseis (vide a guerra no Irã).
UMA FRASE
O cara tem que ser muito apaixonado pela construção civil para continuar quando a alternativa é dirigir Uber.
O executivo comentava a escassez de mão de obra na construção civil, que já foi tema de reportagem no InvestNews.
Para Sindona, o canteiro não atrai mais os trabalhadores porque é um ambiente precário, que não oferece perspectivas de carreira. “Se você não mostrar que ele pode crescer na obra, que tem dignidade ali, ele vai embora.”
UM GRÁFICO

Dell, Intel, Lenovo, Nokia, Texas Instruments, Cisco e Micron: em média, essas sete ações subiram 158% desde o começo do ano, e agora somam US$ 1,7 trilhão em valor de mercado.
Elas não produzem os componentes mais falados da revolução da IA. Mas nem só de GPUs da Nvidia vive um data center: CPUs, placas de memória e equipamentos de rede ainda são necessários – e a demanda tem sido estelar.
A campeã das sete é a Micron, que fabrica memória de alta largura de banda (HBM), essenciais para IA. A ação sobe 903% em 12 meses – e a empresa foi de US$ 500 bilhões para US$ 1 trilhão em meros 48 pregões, um recorde.
VALE PARAR PARA LER
🎸A guitarra que é sinônimo de guitarra
A Fender enviou notificações a outras fabricantes de guitarra exigindo que parem de produzir cópias da Stratocaster, o modelo mais popular do mundo, de 1954. O problema: quase toda marca tem ou já teve uma variação da “Strat” no portfólio – e, em 2009, a Fender já havia sido impedida de registrar o design porque a Justiça americana concluiu que ele se tornou genérico.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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