Sada, o conglomerado bilionário construído com caminhões-cegonha
Metade dos carros zero km do Brasil viaja nos caminhões-cegonha da Sada – um grupo fundado há 50 anos em Betim (MG) que hoje tem 30 empresas, 8 mil funcionários e operações em quatro países. Só em 2025, eles transportaram 2,5 milhões de veículos.
A figura-chave por trás dessa operação é o italiano Vittorio Medioli, que chegou ao Brasil em 1976, aos 25 anos, para instalar uma filial da transportadora de sua família, que atendia a fábrica da Fiat em Minas.
O grupo tem braços em vários setores: além de construir as próprias cegonhas, produz etanol, recicla carros em escala industrial, fabrica autopeças para a Stellantis, é dono do jornal O Tempo e mantém o Sada Cruzeiro – maior campeão do vôlei masculino brasileiro.
A trajetória de Medioli, porém, tem controvérsias. Em 2018, o empresário foi denunciado por formação de cartel no setor de transporte de veículos. E em 2022 gerou polêmica ao sugerir, em sua coluna de jornal, que o Nordeste se separasse do resto do Brasil.
Leia mais nesta reportagem de Rikardy Tooge.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
⚡ J&F reúne ativos de gás na Âmbar
🏢 O bairro de US$ 1 bilhão do BTG
💨White Martins inaugura fábrica de hidrogênio verde
🏙️ Lajes corporativas lotadas em São Paulo
HIGHLIGHTS
⚡ J&F unifica eletricidade e gás na Âmbar
A holding J&F, dos irmãos Batista, vai concentrar seus negócios de gás natural – como a Logás e um terminal de GNL em Santa Catarina –, sob o guarda-chuva da Âmbar Energia. A nova Âmbar ficará sob o comando de Eduardo Antonello. Marcelo Zanatta, o presidente anterior, saiu após um desempenho considerado insatisfatório no Leilão de Reserva de Capacidade.
🏢 BTG assume bairro planejado em São Paulo
O BTG Pactual comprou uma fatia de 42% do bairro planejado do Jardim das Perdizes, em São Paulo (SP), que pertencia à gestora americana Hines. Em fevereiro, André Esteves já havia adquirido uma participação 26% da Tecnisa, o que põe o banco no controle do empreendimento, com 68% do total. O valor do negócio com a Hines não foi divulgado, mas a transação anterior com a Tecnisa avaliava o Jardim das Perdizes em R$ 1 bilhão.
UMA IMAGEM

A White Martins, empresa de gases industriais que fornece gás carbônico para bebidas e oxigênio para hospitais, inaugurou ontem uma fábrica de hidrogênio verde em Jacareí, no interior de São Paulo. É a segunda planta desse tipo que a empresa constrói no Brasil.
A matéria-prima do hidrogênio verde é água. A usina usa energia elétrica de fontes renováveis para separar o H2O em H2 e O2. Depois, é só fazer a reação contrária: queimar hidrogênio equivale a juntar o dito-cujo de volta com o oxigênio para formar água, um processo que libera energia.
A usina vai produzir 800 toneladas desse combustível por ano. Hoje, 95% do hidrogênio usado pela indústria é “cinza”, ou seja: gerado a partir de gás natural em vez de água – um processo bem poluente.
Na foto: A nova usina de hidrogênio verde da White Martins em Jacareí (SP). Crédito: Divulgação/White Martins.

Os sommeliers de café que fazem o mercado global girar
O Contrato C da Intercontinental Exchange (ICE) é a referência global para o preço do café. Mas o grão pode sair mais caro ou mais barato que esse benchmark: a ICE tem uma tabela que dá descontos ou bônus conforme o país de origem e a qualidade dos lotes.
Para evitar que vendam gato por lebre, a ICE emprega um time de 38 avaliadores de café profissionais, os Q-Graders. Eles provam centenas de xícaras, cheiram cuidadosamente os grãos e dão notas que determinam o preço final da mercadoria.
O teste para conseguir a certificação de Q-Grader tem 22 etapas e aprova menos da metade dos candidatos. Depois, é preciso passar no processo seletivo da própria ICE – menos de 8% conseguem.
E está difícil encontrar jovens que queiram ocupar as vagas: em um recrutamento recente, havia apenas 20 candidatos. Boa parte dos provadores da ICE é formada por pessoas que já se aposentaram de suas carreiras anteriores.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
13,4%
Foi a porcentagem de escritórios de alto padrão vazios em São Paulo no primeiro trimestre de 2026 – a menor taxa de vacância dos últimos 14 anos.
Em 2019, pouco antes de a pandemia começar, a vacância estava em 15,1%. E a área total disponível em prédios comerciais aumentou 36% ao longo desses sete anos. Ou seja: a demanda cresceu mais que a oferta de novos empreendimentos.
A região da Rebouças, entre os bairros nobres de Pinheiros e dos Jardins, é a mais concorrida: no momento, não há uma única laje de alto padrão disponível nos arredores da avenida.
UMA FRASE
Há 50 anos nós importávamos 30% da comida que consumíamos no Brasil. Hoje, exportamos para 200 países. É pouco tempo.
UM GRÁFICO

A China planeja instalar 125 GW em energia nuclear nos próximos anos. Dá nove Itaipús em potência instalada – mais do que o suficiente para ultrapassar os EUA, que hoje têm o maior parque atômico do mundo.
A energia nuclear está retomando popularidade após décadas de filme queimado por acidentes como os de Chernobyl e Fukushima. Ela não polui como o gás e o carvão; não sofre com variações climáticas como a eólica e a solar e pode alimentar o boom de data centers de IA.
O Brasil tem apenas 2 GW, nas usinas de Angra 1 e 2. A construção de Angra 3, com 1,4 GW, começou em 1980 e está parada desde 2015. A Eletronuclear, responsável pelo complexo, se recupera de uma crise.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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