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A operação de resgate da Hapvida: nova gestão, ativos à venda e São Paulo por reconquistar

Quando a Hapvida e a NotreDame fecharam um acordo de fusão, em 2021, as duas companhias juntas valiam R$ 110 bilhões na B3. Desde então, as ações caíram 95% – e agora a operadora tenta fazer o mercado confiar em seu plano para sair da UTI. 

  • São Paulo é o epicentro da crise: dos 140 mil beneficiários perdidos no quarto trimestre de 2025, 120 mil eram paulistas. A explicação é que a concorrente Amil, apesar de ligeiramente mais cara, oferece hospitais mais bem-avaliados em seus planos básicos.

  • A Hapvida contratou a BCG para redesenhar sua estratégia em São Paulo, porque não quer perder o maior mercado do país. Mas vai vender a operação no Sul, com 490 mil beneficiários. Analistas estimam que ela conseguirá R$ 1 bilhão – só 25% do investimento feito por lá.

Lucas Adib, que era CFO, foi promovido a CEO, e chega com uma equipe de executivos de empresas como a McKinsey e a própria BCG. Ele está incumbido de salvar o que a gestora Squadra, dona de 5% da Hapvida, definiu como “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro”.

Leia mais nesta reportagem de Raquel Brandão.

HOJE VAMOS FALAR SOBRE

💰 MAK e a dança das cadeiras na Oncoclínicas

💧 TCE-MG segura a privatização da Copasa

⛽ Credores pedem R$ 8 bilhões na Raízen

🌱 O novo capítulo da ALZ no Matopiba

HIGHLIGHTS

🧼 O paradoxo da Advent na Natura

O fundo de private equity Advent acertou comprar uma posição de 8% a 10% na Natura ao longo de seis meses – com direito a indicar dois conselheiros –, a um preço médio de R$ 9,75 por ação. O problema: a notícia animou os investidores e fez o papel passar desse patamar. NATU3 fechou hoje em R$ 10,10. Agora, segundo o Pipeline, a Advent espera o preço baixar.

💰 Oncoclínicas topa aporte – e condições – da MAK

A Oncoclínicas aceitou ontem (16) um empréstimo de até R$ 150 milhões oferecido pela gestora americana MAK Capital (que detém 6% da rede) em parceria com a Lumina. O aporte, que resolve temporariamente a compra de remédios para os pacientes, veio com condições: o fundador Bruno Ferrari e o ex-presidente Marcelo Gasparino cederam seus assentos no conselho ao indicado Mateus Bandeira, ex-CEO da Oi, e ao médico Carlos Gil, atual CEO da Oncoclínicas.

💧 TCE-MG segura a privatização da Copasa

O Tribunal de Contas de Minas deu aval para a Copasa seguir com alguns pontos necessários à privatização, como submeter o processo à B3. Mas a venda de ações que pertencem ao Estado segue proibida até que aconteça um julgamento definitivo. O governo de Minas detém 50,3% dos papéis. E eles sobem 190% em 12 meses por conta da expectativa pela privatização.

UMA IMAGEM

Um quinto da soja nacional já vem do Matopiba, um polo agrícola em expansão na fronteira entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (o nome é a junção das siglas dos quatro estados). Uma das empreitadas que prosperam por lá é a ALZ Grãos.

  • Essa joint venture – formada pela brasileira Amaggi, a francesa Louis Dreyfus e a japonesa Zen-Noh Grain – opera nove armazéns graneleiros e um terminal portuário em São Luís (MA).

  • Até então, a AZL atuava exclusivamente na produção de soja. Agora, também vai processar o grão: comprou uma usina capaz de esmagar até 800 mil toneladas por ano. Os subprodutos desse procedimento, farelo e óleo, são mais rentáveis que a commodity a granel.

Na foto: Trens de soja circulam nas redondezas de um silo no Matopiba. Crédito: Fellipe Abreu/Getty.

O MELHOR DO The Wall Street Journal

Por que a Ferrari é diferente de qualquer marca de luxo

O modelo de negócios da Ferrari parece simples: faça a menor quantidade possível dos melhores carros que você puder – um superesportivo é valioso também porque é escasso. Em 80 anos de história, a Scuderia fabricou meras 330 mil unidades. Para comparar: a Fiat produziu 700 mil Jeeps Renegade em 11 anos – só no Brasil.

  • Até aí, um Rolex segue a mesma lógica. Mas a Ferrari tem um diferencial em relação a outras marcas de luxo: fãs. Um público global com dimensão de (várias) torcidas de futebol acompanha a equipe de Fórmula 1.

  • Em suas primeiras décadas, a Scuderia vendia ao público externo os mesmíssimos carros que disputavam as 24 horas de Le Mans. Oferecer os superesportivos aos entusiastas era só uma forma de financiar a atuação da marca no automobilismo, que era o foco.


Isso mudou na década de 1970 graças ao executivo Luca di Montezemolo. Ele apostou que os fãs endinheirados talvez preferissem dirigir Ferraris de passeio luxuosas em vez dos carros instáveis e indomáveis das pistas – e transformou o cavalinho numa grife de luxo, sem perder a raiz esportiva. 


Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.

UM NÚMERO

R$ 8 bilhões

É o aporte de capital que os credores da Raízen estão cobrando das controladoras Shell e Cosan. A sucroalcooleira está em recuperação extrajudicial com uma dívida de R$ 65 bilhões.

  • Por ora, a Shell mantém o aporte anunciado originalmente, de R$ 3,5 bilhões. A Cosan, por sua vez, não põe um centavo – mas o controlador da holding, Rubens Ometto, se comprometeu com R$ 500 milhões.

  • Os credores, que desejam ficar com 90% do controle da companhia em troca de abater 45% da dívida, também pedem que Ometto saia do cargo de presidente do conselho.

UMA FRASE

A Europa dispõe de umas seis semanas de combustível de aviação.

Faith Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), nesta quinta (16). 39% das importações europeias de querosene de aviação passam pelo Estreito de Ormuz, e uma outra fatia considerável vem de refinarias asiáticas que estão ficando sem matéria-prima por causa do conflito no Oriente Médio.

UM GRÁFICO

A China é o destino de 38% dos petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz. Com o bloqueio, o barril brasileiro despontou como alternativa

  • Entre janeiro e março deste ano, o Brasil vendeu 16,5 milhões de toneladas de petróleo à China por US$ 7,2 bilhões. É um volume 122% maior que as 7,4 milhões de toneladas do 1º trimestre de 2025. 

  • As exportações para a Índia também saltaram um bocado no período, 78%. No caso deles, a culpa não é só do bloqueio: os indianos foram forçados a interromper as importações de petróleo russo sob ameaça de tarifas dos EUA – e apelaram para nós.

VALE PARAR PARA LER

👟Esta marca de tênis quer abrir um data center

Os tênis da Allbirds já foram uma febre, mas a empresa, que chegou a valer US$ 4 bilhões, entrou em crise e vendeu quase todos os seus ativos – inclusive a marca – por US$ 39 milhões. Agora, anunciou que vai se reinventar com data centers de IA. É uma jogada imprudente: chips da Nvidia estão em falta, e os US$ 50 milhões anunciados em investimentos são irrisórios perto dos orçamentos bilionários do setor. Após o anúncio, as ações subiram 582% (mas permanecem 90% abaixo do valor na época do IPO). 

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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito

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