Raízen avalia recuperação extrajudicial
A Raízen admitiu pela primeira vez ontem (4) que considera entrar em recuperação extrajudicial para se salvar da dívida líquida de R$ 55 bilhões. A Shell, uma das sócias da sucroalcooleira, fará um aporte de R$ 3,5 bilhões para ajudar e pediu que a Cosan fizesse o mesmo.
A Cosan não quis e sugeriu outro plano: separar o setor de cana da Raízen dos postos com a marca Shell, que são uma fonte de receita mais previsível. Então, fundos do BTG entrariam com R$ 5,5 bilhões para controlar só os postos.
Aí foi a Shell que não quis. No fim, os sócios combinaram assim: Rubens Ometto, da Cosan, vai colocar “só” R$ 500 milhões por conta própria no resgate da Raízen – e deixar a Shell assumir a maior parte da bucha, em troca de um aumento na participação acionária.
Hoje, Cosan e Shell detêm, cada uma, 44% das ações da Raízen. Numa eventual recuperação extrajudicial, as negociações podem incluir a conversão de dívida em ações para os credores, diluindo a participação dos acionistas atuais.
Leia mais nesta reportagem de Rikardy Tooge.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🧪 Cade põe futuro da Braskem em xeque
🚗 Uma nova chance para os sedãs
⚡ As empresas de olho no leilão de megabaterias
☀️ Comerc desiste de usina solar flutuante
HIGHLIGHTS
🚂 Cade põe futuro da Braskem em xeque
A Petrobras e a IG4 têm um acordo para assumir o controle da Braskem. Mas o Cade demora a aprovar a transação. De acordo com fontes ouvidas pelo InvestNews, a empresa só teria quatro meses de caixa. E sem IG4 e Petrobras assumindo as rédeas, em breve não terá como pagar os juros de sua dívida, de R$ 7 bilhões.
🛣️ Motiva vai investir R$ 1 bilhão até 2035
A Motiva (ex-CCR) precisa de R$ 0,37 em despesas para gerar R$ 1 em receita. A meta é derrubar esse valor para R$ 0,28 em dez anos. Para buscar esse aumento de eficiência, a concessionária de rodovias e aeroportos vai investir R$ 1 bilhão em projetos internos e financiamento de startups até 2035.
☀️ Comerc desiste de usina solar flutuante
A Comerc, braço de energia renovável da Vibra, está vendendo sua participação na KWP Comerc, uma empresa criada em 2024 para construir uma usina solar flutuante na represa Billings, em São Paulo. A KWP Energia, sua sócia, vai assumir o projeto sozinha.
UMA IMAGEM

Apenas dez navios de carga foram vistos saindo do Golfo Pérsico desde que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz: sete na segunda, três na terça. Normalmente, são centenas.
O petróleo não é a única commodity afetada aí. Metade do suprimento mundial de enxofre, por exemplo, passa por Ormuz. A cotação desse mineral, que vai para a fabricação de fertilizantes, subiu 7% desde a sexta passada.
Na foto: O navio petroleiro iraniano Grace 1. Crédito: Marcelo del Pozo/Bloomberg Finance LP
O MELHOR DO INVESTNEWS

De WEG a Huawei: as empresas de olho no leilão de megabaterias
Usinas solares, por óbvio, só geram eletricidade durante o dia. Muitas vezes, mais eletricidade do que a rede aguenta, o que obriga a ONS a “jogar fora” um bocado de luz (é o chamado curtailment, que dá prejuízo às geradoras). O problema é que o pico de consumo é justamente à noite, quando não há luz natural.
Um jeito de resolver esse impasse é usar baterias gigantes, conhecidas pela sigla BESS, para armazenar energia durante o dia – e então, soltar o excedente na rede durante a noite.
O Ministério de Minas e Energia tem interesse nessa solução e planeja um leilão inédito de energia voltado para megabaterias neste ano.
Empresas como IAS e Axia já estão se preparando para participar da concorrência. Enquanto isso, a WEG se mexe para tornar suas megabaterias mais atraentes do que as opções da Tesla ou da Huawei.

Uma nova chance para os sedãs
A Chevrolet não fabrica um sedã nos EUA desde 2024. A Ford parou antes, em 2018. Agora, ambas estão reconsiderando: “Eu mataria para ter um sedã elétrico híbrido”, disse Mark Reuss, presidente da GM.
Nos últimos anos, a indústria americana pôs todas as fichas em SUVs e picapes, que caíram no gosto do público e, de quebra, dão margens maiores. Sedãs, cupês e afins, que eram 50% das vendas 15 anos atrás, hoje são só 18% do total.
Um problema: os utilitários são mais caros. E o preço médio de um 0 km nos EUA subiu 30% desde 2019. Conforme os jipões saem do orçamento do cidadão médio, os sedãs retomam espaço e invertem a tendência.
Dos cinco modelos mais baratos à venda nos EUA, só um – o SUV compacto Trax – é americano. Nissan, Hyundai e Kia dominam o ranking. E agora, as gigantes locais fazem planos para reagir.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UMA FRASE
Serão necessárias algumas semanas para que os mercados realmente entendam as implicações.
VALE PARAR PARA LER
⚒️ Zijin, uma campeã discreta da mineração
A quarta mineradora mais valiosa do mundo atua em 18 países e é jovem: surgiu em 1993, pelas mãos do geólogo Chen Jinghe. Chen fundou a Zijin Mining, e operou discretamente por décadas, comprando minas a preço de banana em ciclos de baixa das commodities. Deu certo: com as altas recentes no cobre e no ouro, o valor de mercado da Zijin subiu 150% em 2025, para US$ 150 bilhões.
Acompanhe o mercado e as notícias importantes do mundo cripto.
É ISSO. ATÉ AMANHÃ!
Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
GOSTA DE O ESSENCIAL? COMPARTILHE E GANHE!
Se você indicar esta newsletter para 2 pessoas, ganha um ano de assinatura digital do The Wall Street Journal. Aproveite 😉

