Escassez de turbinas complica termelétricas no Leilão de Reserva de Capacidade
Quem quiser construir uma usina termelétrica, hoje, precisa antes resolver um detalhe: achar uma turbina disponível. As fábricas já venderam quase toda a produção até o fim da década; uma fornecedora cobrou US$ 25 milhões só para reservar uma turbina com entrega em 2030.
A demanda global disparou, puxada por data centers. Por ano, a indústria produz turbinas suficientes para gerar 30 GW, mas os pedidos passam de 80 GW.
O gargalo chega agora ao Brasil. O governo prepara um leilão para contratar até 30 GW, o equivalente a duas Itaipus, em “reserva de capacidade”, ou seja: usinas para reforçar o abastecimento quando há picos de consumo.
Larga na frente quem construiu essa infraestrutura antes da escalada de preços ou contorna o problema usando outros truques. Caso da Delta, que venceu o primeiro leilão do tipo, em 2021, com a estratégia de modernizar turbinas antigas em vez de comprar novas.
Leia mais nesta reportagem de Rikardy Tooge.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🩺 Porto está atrás de fatia da Oncoclínicas
🚗 Brasil montará BYDs para exportação
⛽ A alta do diesel
🌐 Os datacenters do Oriente Médio
HIGHLIGHTS
🩺 Porto estuda aporte de R$ 1 bilhão na Oncoclínicas
A Porto avalia colocar R$ 1 bilhão na Oncoclínicas e se tornar sócia da rede numa subsidiária separada — deixando de fora os hospitais cancer center, que operam no vermelho. Faz sentido: ela já paga R$ 500 milhões por ano para a rede tratar os segurados da Porto Saúde.
🚗 Brasil montará BYDs para México e Argentina
A fábrica da BYD em Camaçari (BA), inaugurada em 2025 com capacidade para fabricar 150 mil carros por ano, vai exportar 100 mil veículos — 50 mil para a Argentina, 50 mil para o México. O Brasil é o maior mercado da montadora fora da China, com 113 mil unidades vendidas no ano passado.

Jovens dão uma segunda chance aos shoppings nos EUA
A geração que cresceu com o celular na mão perdeu o gosto por compras online e agora dá uma chance a um modelo de negócio com frete gratuito e sem prazo de entrega: o shopping. Hoje, jovens entre 18 e 24 anos fazem 62% de suas compras presencialmente, contra 52% dos maiores de 25.
Além da gratificação instantânea, esse público busca vida social — e cenários instagramáveis — após passar parte da adolescência trancado em casa por causa da pandemia.
Depois de anos no purgatório do e-commerce, o setor de shoppings nos EUA ganhou uma sobrevida inesperada. Marcas que nasceram online estão abrindo lojas físicas para capturar esse público.
A Pacsun, varejista americana tradicional em shoppings, inaugurou novas lojas em 2025 pela primeira vez em 18 anos, e planeja abrir 35 unidades até 2029. “É porque a Gen Z está aparecendo”, disse a CEO Brie Olson.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
19%
Foi a alta no preço do diesel nos postos brasileiros, em média, desde o início da guerra no Irã.
Natural. O Brasil importa um quarto do diesel que consome, e o preço internacional do combustível subiu 50% nesse intervalo.
Nesse contexto, a Petrobras aumentou o diesel nas refinarias em 11%, para R$ 3,27. Para chegar ao preço de paridade internacional, porém, teria de aumentar para R$ 5,61.
UMA FRASE
Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo. Então, quando os preços sobem, ganhamos muito dinheiro.
UM GRÁFICO

Nos primeiros dias da guerra, o Irã atacou três instalações da Amazon no Bahrein e nos Emirados Árabes. Foi uma provocação ao investimento das big techs nos reinos do Golfo Pérsico: nesses países, o setor de data centers deve crescer 13% ao ano até 2034.
A Microsoft anunciou, em novembro passado, planos de injetar quase US$ 8 bilhões nos Emirados Árabes ao longo de quatro anos.
O Google, por sua vez, combinou de investir US$ 10 bilhões em parceria com o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) para desenvolver um polo de inteligência artificial no país.
VALE PARAR PARA LER
🐉 O futuro da desigualdade na China
O patrimônio médio das famílias chinesas saltou de US$ 1,5 mil para US$ 170 mil nos últimos 50 anos, em valores de hoje. Mas a riqueza está mal distribuída: os 10% mais ricos detêm 70%. E a concentração tende a aumentar. Boa parte dos casais chineses teve apenas uma criança, por conta da antiga política do filho único. Logo, são poucos herdeiros.
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Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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