Oncoclínicas perde médicos e a confiança de fornecedores
O Banco Master comprou 15% da Oncoclínicas em 2024. A Oncoclínicas, por sua vez, aplicou R$ 480 milhões em CDBs do próprio Master. Essa história feriu a reputação da rede de ambulatórios, que agora encara a resistência dos fornecedores e dos próprios médicos.
A Oncoclínicas emprega 18% dos oncologistas do país. Muitos passaram a procurar emprego na concorrência, porque a rede mexeu na remuneração desses profissionais.
É que a situação financeira não é boa: no 3º trimestre de 2025, a dívida da Oncoclínicas já equivalia a 4,2 vezes o lucro operacional – o saudável, nesse indicador, é algo mais perto de 2.
As esperanças agora recaem sobre Camille Faria, anunciada como vice-presidente executiva no último dia 4. O currículo dela inclui a reestruturação da Americanas após o escândalo de 2023 e a primeira recuperação judicial da Oi.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
⚒️ Mota-Engil arremata mina recusada pela Vale
💸Tanure vai às vendas
🪁 Adultos salvam mercado de brinquedos
✨Terras raras no Brasil: agora vai?
HIGHLIGHTS
⚒️ Empresa luso-chinesa assume mina na Bahia
O conglomerado português Mota-Engil, que é um terço controlado pela estatal chinesa CCCC, vai assumir a mineradora baiana Bamin. O pacote inclui uma mina de ferro e as concessões para um porto e duas ferrovias. Originalmente, a intenção era vender o complexo para a Vale, mas ela recusou.
💸Tanure vende a Ligga
O empresário Nelson Tanure vendeu a Ligga, sua empresa de internet por fibra óptica, para a Brasil TecPar, que vai assumir a dívida de R$ 1 bilhão. Eles fecharam negócio por R$ 495 milhões, bem abaixo dos R$ 2,5 bilhões que Tanure buscava quando pôs a empresa à venda ano passado.
💰 BNDES põe dinheiro na Klabin
O BNDES aprovou um financiamento de R$ 122 milhões para 14 projetos de pesquisa e inovação da Klabin. A verba vai para o melhoramento genético de eucalipto e pinus, para aperfeiçoar a produção de celulose e para desenvolver embalagens mais fáceis de reciclar, entre outros objetivos.
UMA IMAGEM

No sábado, Brasil e Índia firmaram um acordo de cooperação em terras raras. Esse é o apelido de um conjunto de minerais cruciais para a indústria de alta tecnologia, de mísseis a turbinas eólicas.
A China tem o maior estoque de terras raras do mundo: 44 milhões de toneladas. E domina 90% do refino, uma vantagem que virou arma na guerra tarifária com os EUA.
O Brasil fica em segundo, com 21 milhões de toneladas, mas produz menos de 1% do total global. O objetivo do acordo com a Índia é dar um gás na produção — e uma opção aos americanos.
Na foto: Lula e Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, assinam acordo comercial. Crédito: Bloomberg.

Nostalgia vira porto seguro das fabricantes de brinquedos
Apesar da queda nas taxas de natalidade e da alta no tempo de tela infantil, as vendas de brinquedos subiram 6% em 2025. Crédito dos adultos, que já são responsáveis por quase um terço da receita do setor.
Para 2026, a expectativa da indústria é que as vendas para crianças permaneçam estáveis ou caiam. Mas Hasbro, Lego e Mattel apostam nas compras dos marmanjos para compensar o prejuízo.
Falta espaço para ideias originais: os varejistas torcem o nariz para produtos que não tenham a ver com alguma franquia já conhecida da cultura pop.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
12,7%
É a nova média das tarifas aplicadas sobre produtos brasileiros entrando nos EUA. A porcentagem caiu bruscamente: até sábado (21), eram 26%.
O crédito é da nova tarifa global de Trump: 15%, sem distinções. Os países que pagavam menos (como a Inglaterra, com 10% para alguns produtos) saíram no prejuízo. Mas o Brasil, que chegou a pegar 50% para alguns produtos, se deu bem.
Tomando como referência as exportações brasileiras para os EUA em 2024, dá para estimar o alívio total em US$ 5,7 bilhões ao ano. A ver os próximos capítulos.
UM GRÁFICO

A invasão da Ucrânia e as desventuras tarifárias de Trump são algumas das notícias que fizeram a cotação do ouro subir 265% desde 2020.
Bancos centrais e investidores consideram o metal um porto seguro, que mantém valor mesmo em situações de crise.
A poupança em dólares perde apelo conforme Trump se isola dos seus parceiros comerciais e aliados. Em 2013, a China chegou a ter US$ 1,3 trilhão em títulos do tesouro americano. Hoje, tem “só” US$ 850 bilhões.
VALE PARAR PARA LER
📉 A crise de identidade do bitcoin
O bitcoin cai 44% desde o último pico. E uma retomada parece difícil, já que o pai de todas as criptos não encontrou um lugar ao sol. O bitcoin não tem funcionado como hedge contra a inflação e não pegou como meio de pagamento. O clima de 2026 favorece investimentos tradicionais que estavam fora do radar, como as bolsas emergentes, a começar pela nossa.
Acompanhe o mercado e as notícias importantes do mundo cripto.
É isso. Boa segunda-feira!
Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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