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Operação da PF pode devolver market share para Ultrapar, Vibra e Raízen
🥡 As chinesas que desafiam a supremacia do iFood | 🇺🇸 O governo sem freios de Donald Trump
Alexandre Versignassi
Ouça a versão em áudio:
Operação da PF pode devolver market share para Ultrapar, Vibra e Raízen
A gasolina que a gente coloca no tanque leva até 30% de etanol anidro – aquele quase puro, sem água. Já o etanol vendido na bomba é outro, o hidratado: pode conter até 7% de água. E isso é tudo o que as distribuidoras podem misturar ali. Só que nas ilegais, controladas pelo crime organizado, entra muito mais do que água no combustível.
A operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, encontrou postos ligados ao PCC vendendo combustível com até 90% de metanol – um solvente altamente corrosivo para o motor dos carros, e bem mais tóxico para os pulmões dos humanos.
O metanol chega a ser 50% mais barato do que seu primo, o etanol. Isso dá margem para que o crime ofereça preços mais em conta nas bombas. Segundo um relatório do Bradesco, as três grandes distribuidoras de combustíveis do país – Raízen, Vibra e Ultrapar – perderam 3% de market share só entre janeiro de 2024 e abril de 2025, por conta do avanço da concorrência ilegal.
O Ministério Público diz ter identificado 300 postos adulterados no país, enquanto entidades do setor estimam pelo menos 2,5 mil – só no Estado de São Paulo.
De todo modo, ficou a expectativa de que ao menos parte do braço criminoso seja desarticulado. E o mercado reagiu: as ações da Raízen subiram 3%; as da Vibra, 5%; as da Ultrapar 8%.
Hoje vamos falar sobre:
🤝 A relação Brasil-México
🥡 As chinesas que desafiam a supremacia do iFood
🇺🇸 O governo sem freios de Donald Trump
💄O batom de R$ 850
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HIGHLIGHTS
🛢️ Novo nome para o conselho da Petrobras
O governo indicou Marcelo Pogliese, secretário especial de assuntos jurídicos da Presidência, para assumir uma cadeira no conselho de administração da Petrobras. Agora, o nome será analisado pelo compliance da empresa e depois votado em assembleia de acionistas. Se aprovado, ele ocupará o lugar de Pietro Mendes, que saiu do conselho na semana passada para assumir uma diretoria na ANP.
⚡️ As interessadas na rede elétrica da Brookfield
A canadense Brookfield vai vender sua rede de transmissão de energia no Brasil, em um negócio estimado entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. Três gigantes estão na disputa: a chinesa State Grid, a colombiana Isa Brasil e a Taesa – controlada por Cemig e Isa. Segundo o Broadcast, a favorita para levar é a State Grid, que já detém 10% das linhas de transmissão no Brasil e investiu R$ 30 bilhões no setor.
🥩 Operação Carne Fria
Nesta semana, o Ibama multou a JBS em US$ 75 mil por comprar 810 cabeças de gado de áreas embargadas por desmatamento ilegal. Foi a 3ª fase da operação Carne Fria, que mira práticas ilegais na cadeia da carne bovina na Amazônia. No total, os fiscais do Ibama apreenderam 7 mil animais em fazendas ilegais do Pará e de Rondônia.
UMA IMAGEM

Nesta semana, o vice-presidente Geraldo Alckmin liderou uma comitiva ao México. A ideia era aproveitar o infortúnio das tarifas americanas para estreitar a relação entre os dois.
Hoje, o México é o 6º maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, vendemos US$ 7,8 bilhões para lá, e compramos US$ 5,8 bilhões.
Os EUA são de longe o principal destino dos produtos do México: 84% das exportações vão para lá. Mas, agora, os mexicanos estão tarifados em 25% na fronteira.
Na foto: Alckmin durante uma dos encontros com representantes do governo mexicano (Divulgação).
O MELHOR DO INVESTNEWS
As gigantes chinesas que desafiam a supremacia do iFood
O iFood reina quase sozinho no Brasil. Com 83% do mercado e 55 milhões de usuários, ele nocauteou o Uber Eats e a chinesa Didi, dona da 99Food. Mas agora o império contra-ataca. A 99Food volta depois de ter fracassado em 2022. E tem outro colosso chegando da China. É a Meituan, maior plataforma de delivery do mundo, com 700 milhões de usuários.
As duas pegaram carona numa resolução do Cade. Em 2023, o órgão concluiu que os contratos de exclusividade que a empresa firma com restaurantes eram uma prática abusiva. O iFood foi obrigado a limitar a duração desses contratos, o que abriu espaço para concorrentes.
Foi nesse contexto que a Didi decidiu ressuscitar o 99Food. Agora, com R$ 1 bilhão em investimentos, promessa de taxa zero para restaurantes por até dois anos e garantia de renda mínima para entregadores.
Mas é a Meituan que eleva a disputa a outro patamar. Um em cada oito adultos do planeta já é cliente da empresa, que chega ao Brasil com a marca Keeta. A estratégia deles inclui bônus para entregadores, subsídios generosos para restaurantes e, se deixarem, entregas por drones, que já rolam na China. A meta ali é assumir a liderança, nem que isso signifique queimar dinheiro por um bom tempo.
Leia mais nesta reportagem de Greg Prudenciano.


O governo sem freios de Donald Trump
A democracia não sobrevive só das leis talhadas na Constituição. Para funcionar de verdade, precisa que seus governantes aceitem as regras não ditas do jogo político: reconhecer a legitimidade dos adversários e usar os próprios poderes com moderação. Em seu segundo mandato, Donald Trump parece ter descoberto como é fácil driblar esses limites nos EUA.
Hoje, ele governa de uma forma mais autoritária e centralizadora que no primeiro mandato, entre 2016 e 2020. Naquele tempo, ainda havia assessores e ministros dispostos a segurar seus impulsos – como escalar um tarifaço sem justificativa econômica, ou influenciar no controle do Fed.
Agora, segundo fontes da Casa Branca, quase nenhum de seus aliados se arrisca a contrariá-lo.
Num dos movimentos mais ousados até agora, Trump tenta tirar a diretora Lisa Cook de seu cargo no BC americano. A manobra desafia a Suprema Corte, que já havia deixado claro mais cedo este ano: o banco central deve ficar a salvo de interferências políticas.
Marc Short, diretor de assuntos legislativos de Trump no primeiro mandato, resume: “ele percebeu que quase nada consegue de fato impedi-lo de fazer o que quer.”
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
R$ 615,6 milhões
Foi o investimento da Ascenty, maior operadora de data centers da América Latina, para erguer o SCL03 – seu 3º empreendimento no Chile.
O espaço tem 50 mil m² e já está alugado por 15 anos para um único cliente.
A empresa ainda vai construir mais dois data centers por lá, com R$ 5,5 bilhões em investimentos previstos até 2028.
Hoje, o Chile reúne mais de 37 data centers e concentra 13,5% dos investimentos do tipo na América Latina. O Brasil tem o maior mercado da região, com mais de 40% dos aportes.
VALE PARAR PARA LER
🍫 O drama do cacau baiano
Para os produtores de cacau do sul da Bahia, 2024 foi doce. O preço internacional disparou com a quebra de safra em Gana e na Costa do Marfim, responsáveis por 60% da oferta mundial. Com o dinheiro extra, os agricultores baianos voltaram a sonhar em modernizar as lavouras. Mas a bonança durou pouco: a recuperação africana derrubou o prêmio pago pelo cacau brasileiro – e as tarifas de 50% dos EUA selaram a crise de vez.
OFF WORK
💄O batom de R$ 850
A Louis Vuitton entrou no ramo dos cosméticos. A linha La Beauté oferece 55 batons, 10 protetores labiais e 8 paletas de sombra. A ideia é que a maquiagem funcione como uma porta de entrada para consumidores aspiracionais, que sonham com seu “primeiro Louis Vuitton”. Não significa que os preços sejam em conta, claro: o batom perfumado sai por R$ 850 – o dobro de um da Hermès e três vezes um da Chanel.
É isso. Boa sexta-feira e bom final de semana!
Curadoria e textos: Camila Barros
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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