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A insustentável dívida da Raízen – e como ela mexe com o mercado financeiro

A Raízen divulgou um prejuízo homérico, de R$ 15,6 bilhões, no último trimestre do ano passado – seis vezes maior do que no mesmo período de 2024. E a dívida líquida fechou em R$ 55,3 bilhões. Os credores já estão reunindo seus times jurídicos e financeiros para uma renegociação, que parece iminente.

  • COEs que têm bonds da Raízen dentro estão em maus bocados. Esses títulos de dívida em dólar já caíram mais de 50%. A partir desse limite, alguns emissores de COEs podem decidir pela liquidação do ativo, caso achem apropriado. E quem investiu perde dinheiro.             

  • Os CRAs da Raízen também vão mal, claro. Esses papéis estão circulando no mercado secundário com descontos de até 82%. A garantia? Debêntures da própria Raízen. Aí complica. 

Um caminho para resolver a crise seria uma capitalização, estimada hoje em R$ 20 bilhões pelos controladores, a Shell e a Cosan. Uma das especulações é a de que o BNDES entre na sociedade para completar o cheque.    

Leia mais nas reportagens de Greg Prudenciano e Sérgio Tauhata.

HOJE VAMOS FALAR SOBRE

⚒️ Vale dá prejuízo de US$ 3,8 bi

🍺 Ambev culpa frio no Brasil

🚗 Localiza compra 10 mil BYDs

A eterna novela de Angra 3

HIGHLIGHTS

⚒️ Um vale no balanço da Vale

A Vale registrou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no último trimestre de 2025, uma piora em relação aos US$ 694 milhões negativos no mesmo período de 2024. Não fossem as consequências da tragédia de Brumadinho, a mineradora teria tido um lucro de US$ 1,4 bilhão.

💰 O calote anônimo no Banco do Brasil

O balanço do 4º trimestre do Banco do Brasil veio com uma inadimplência de R$ 3,6 bilhões, mas manteve o devedor em sigilo. Uma fonte anônima disse que a devedora era a Braskem. O BB não confirmou, e a Braskem negou, mas a notícia derrubou as ações da petroquímica em 11,27%. 

🍺 Ambev versus La Niña

A Ambev seguiu a Heineken e registrou uma queda de 5% nas vendas de cerveja no Brasil em relação a 2024. Para o CEO, o problema foi o clima frio e chuvoso de 2025: anos de La Niña não são os melhores para beber ao ar livre. 

O MELHOR DO The Wall Street Journal

Entre Maduro e Trump, este magnata escolhe o petróleo

Harry Sargeant III é aliado de Trump e o cabeça de um conglomerado petrolífero bilionário, que já vendeu combustível até para o Exército americano. Mas Sargeant também fez amizade com Maduro: em 2016, convenceu o ditador a ceder duas jazidas para suas empresas. 

  • Há anos esse magnata faz lobby para conciliar os dois países e lucrar com a exploração de petróleo. A oposição ao regime venezuelo o considera um traidor.  

  • O flerte com Maduro, porém, era só uma tática para ganhar dinheiro com a Venezuela, coisa que fica ainda mais fácil com o autocrata preso.

Sargeant comemorou a operação militar em Caracas. Ele disse: “essa é a maior oportunidade de investimento desde a queda da União Soviética. É o que eu sempre quis.” 

Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.

UM NÚMERO

10 mil

É o número de carros híbridos e elétricos que a Localiza vai comprar da BYD nos próximos dois anos. A empresa tem uma frota de 680 mil veículos. 

  • Os EVs depreciam a uma taxa diferente dos usados à combustão. Como a revenda de usados é metade da receita da Localiza, ela criou um novo método para calcular o momento certo de passar esses carros para frente.

A Movida, que é a principal concorrente da Localiza, já tem elétricos chineses na frota, mas são só 750, o que dá só 0,3% do total de 268 mil carros. 

UMA FRASE

O risco de colapso é grande e a gente precisa

de uma decisão do governo federal.

Alexandre Caporal, o presidente interino da Eletronuclear, em uma entrevista ao Estadão sobre a usina Angra 3. A obra parada custa R$ 1 bilhão ao ano e mantém 14 mil equipamentos parados. Além disso, os bancos credores podem, por contrato, tomar as receitas de Angra 2 para sanar suas dívidas, o que põe em risco salários e o pagamento de fornecedores.

UM GRÁFICO

Até agora, a China investiu US$ 130 bilhões na fabricação de baterias no biênio de 2025 e 2026, o que dá 71% do total mundial. 

  • Ainda é muito, mas os outros países estão se mexendo. No biênio anterior, entre 2023 e 2024, os US$ 92 bilhões que a China pôs no setor representavam 84% do todo.  

A participação americana foi de 5% a 10% – subiu de US$ 5 bilhões para US$ 18 bilhões. Mas, com Trump liberando geral na legislação ambiental, o futuro desses números é um mistério.

VALE PARAR PARA LER

💣 A bomba-relógio da Previdência

11% da população brasileira tem 65 anos ou mais. No Japão, são quase 30%. Mesmo assim, nosso patamar de gasto com previdência social equivale ao deles: 10% do PIB. E conforme a proporção de idosos vai crescendo, a diferença entre o que se paga e o que se arrecada tende a se multiplicar: dos atuais 2% do PIB para 16% em 2060.

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É isso. Boa sexta-feira!

Curadoria e textos: Camila Barros
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito

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