A fragilidade da nossa indústria bélica
Em maio de 2026, a Avibras voltou a funcionar após 1.280 dias de greve por salários atrasados. A fabricante do lançador de foguetes Astros, um dos produtos mais bem-sucedidos da indústria bélica nacional, se reergueu com um aporte de R$ 300 milhões – que incluiu investimentos de Joesley Batista.
Uma semana antes, a Edge, uma holding de defesa do governo de Abu Dhabi, comprou 100% da Akaer – que colaborou com a Embraer no cargueiro KC-390 e no caça sueco Gripen.
Ambas produzem equipamento top de linha, mas não conseguem proteger suas finanças dos ciclos longos do mercado de defesa. Os produtos são caros e exigem anos de desenvolvimento. E a clientela – governos, principalmente o brasileiro – é cautelosa.
O essencial: um caminho para resolver o problema é reduzir a dependência do mercado interno: a Embraer, que soube tornar seu negócio de defesa rentável, já vendeu o KC-390 para 13 países. Outro é investir em tecnologias de uso duplo, que também atendam o mercado civil.
Leia mais nesta reportagem de Greg Prudenciano.
HOJE VAMOS FALAR SOBRE
🩺 A reestruturação da Elfa, de material hospitalar
🛢️ O novo navio-plataforma da Petrobras
🔩 A crise do alumínio
📱Os iPhones mais caros do mundo
HIGHLIGHTS
🩺 A reestruturação da Elfa, do Patria
A Elfa, uma empresa de distribuição de medicamentos e material hospitalar controlada pela gestora Patria, contratou a especialista em gestão de crises RK Partners e o escritório de advocacia E. Munhoz para reestruturar sua dívida, que está em R$ 1,7 bilhão. A informação é do Pipeline.
🛢️Malásia ganha projeto P-88 da Petrobras
O conglomerado de energia Yinson, da Malásia, ganhou a concorrência da Petrobras para construir o navio-plataforma P-88, uma peça central para revitalizar o Campo de Albacora, no litoral fluminense. Essas embarcações são plataformas de petróleo flutuantes, que não ficam presas ao fundo do mar.
UMA IMAGEM

A cotação do alumínio no mercado global subiu 1,9% depois de a Norsk Hydro anunciar que cortou pela metade a produção da refinaria de bauxita Hydro Alunorte, no Pará.
O problema foi um corte no fornecimento de gás natural pela Celba – a controladora dela está passando por uma recuperação judicial na Inglaterra.
O problema acontece em meio a um boom na demanda. A Norsk Hydro calcula que a produção mundial, neste ano, está 900 mil toneladas abaixo do necessário para suprir os pedidos.
Na foto: terminal de GNL da New Fortress Energy, controladora da Celba, em Barcarena (PA). Crédito: Paulo Fridman/Bloomberg.

Sem acesso a petróleo, Cuba apela para energia solar com apoio chinês
Faz dois anos que Cuba convive com apagões quase diários. A rede elétrica está obsoleta, faltam peças para a maior usina térmica do país e, desde janeiro, o combustível entra a conta-gotas: os EUA bloquearam a entrada de petróleo da Venezuela, a principal fornecedora da ilha.
Para atenuar o problema, Cuba apelou para as renováveis: com apoio chinês, construiu 41 parques solares com 20 MW de capacidade ou mais desde 2024 – e planeja chegar a 92 até 2028.
Em tese, os painéis já instalados dão conta de um terço da demanda da ilha nos horários de pico, que é de 3,2 GW. Na prática, a geração solar contribui menos: coisa de 10% do consumo total.
Um dos motivos para essa defasagem é que 16% da eletricidade se perde ainda nos cabos, antes de chegar ao consumidor. Outro é que, para usar energia solar à noite, são necessárias megabaterias para armazenar o excedente gerado durante o dia – e Cuba tem apenas uma, com outras três a caminho.
Leia mais nesta reportagem do Wall Street Journal, em português.
UM NÚMERO
R$ 9,1 bilhões
É o valor de um contrato de vinte anos que a Anthropic, o laboratório de IA por trás do Claude, acaba de fechar com a Riot Platforms, uma empresa de mineração de bitcoin.
O motivo: minerar cripto exige força bruta computacional e já não é mais um negócio tão rentável. Por isso, a Riot está adaptando suas instalações para funcionarem como data centers de IA.
Eles vão fornecer 191 MW de capacidade computacional à Anthropic – o suficiente para abastecer 143 mil residências.
UMA FRASE
Como estamos ganhando participação, mesmo que o mercado diminua, ficamos com uma fatia maior do bolo.
Giamellaro argumenta que sua posição é mais confortável que a da Ambev. “Somos um desafiante, com uma participação próxima de 30%. Sofre mais com a queda quem tem mais de 50%.”
O Brasil é a maior operação da Heineken em volume de cerveja.
UM GRÁFICO

O Deutsche Bank compilou os preços do iPhone 17 Pro em 41 países. Mesmo sem levar o custo de vida em consideração – o que tornaria a diferença ainda mais extrema –, o Brasil paga 191% a mais que os EUA.
Entre os mercados analisados, só a Turquia ganha de nós: por lá, o smartphone da Apple sai 219% acima do preço de tabela americano. Egito, Hungria e Noruega completam o top 5.
No outro extremo do ranking, os japoneses pagam 5% a menos que os americanos.
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É ISSO. ATÉ AMANHÃ!
Curadoria e textos: Bruno Vaiano
Edição: Alexandre Versignassi
Design: João Brito
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